- Empresas brasileiras passaram a vasculhar conexões com PCC e CV após a designação como terroristas pelos EUA, para excluir parceiros que possam atrair sanções.
- Os setores considerados mais vulneráveis incluem financeiro, combustíveis (gasolina, diesel, botijão de gás e etanol), logística, defensivos, construção, imóveis, ouro e bets.
- As autoridades americanas podem investigar e punir mesmo sem prova de má-fé, com possíveis consequências como congelamento de ativos ou bloqueio de bens no exterior.
- O caso mexicano, citado como referência, mostrou aumento de custos de compliance e tensões diplomáticas após a classificação de cartéis como terroristas.
- Especialistas destacam que a rotina de compliance deve ficar mais rígida e que ações dependerão de objetivos políticos do governo dos EUA.
O governo dos Estados Unidos classificou o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, com efeito prático imediato para empresas brasileiras. A designação foi anunciada em 28 de maio e entrou em vigor na sexta-feira, 5 de junho de 2026. A medida autoriza investigação e sanções contra parceiros de negócios, mesmo sem provas de má-fé.
Especialistas ouvidos pela Folha dizem que as empresas passaram a mapear suas redes para identificar clientes, fornecedores e prestadores de serviço que possam ter ligações com as facções. O objetivo é decidir quais vínculos manter ou romper, a fim de mitigar riscos de sanções futuras.
Para advogados de compliance, a reação é de maior rigor nas rotinas de empresas que atuam com finanças, comércio exterior e operações com ativos de terceiros. A atuação depende, em grande parte, de alinhamento com o governo americano e das regras de conformidade aplicáveis.
Contexto e impactos
As regras americanas permitem punir empresas ligadas a terroristas, mesmo sem comprovação de má-fé. A cadeia financeira é apontada como principal via de atuação, já que movimenta recursos de pessoas físicas e jurídicas. Sanções podem atingir contas, bens ou operações nos EUA.
A escritórios de advocacia relatam aumento expressivo na demanda por consultoria de compliance desde o anúncio. O peso regulatório pode variar conforme o objetivo político das autoridades dos EUA, segundo especialistas.
Entre os riscos para empresas brasileiras estão bloqueios de ativos, congelamento de contas e dificuldades para manter operações com instituições financeiras americanas ou com atuação global. A depender do enquadramento, impactos podem surgir tanto no Brasil quanto no exterior.
Setores mais vulneráveis
Setor financeiro é considerado o mais exposto, incluindo bancos, corretoras, gestoras, instituições de pagamentos e distribuidoras de títulos. A circulação de dinheiro facilita a identificação de vínculos suspeitos e a aplicação de sanções.
Outros segmentos com maior vulnerabilidade já identificados por autoridades brasileiras incluem venda de combustíveis (gasolina, diesel, botijão de gás e etanol), logística de transporte, defensivos agrícolas, construção, imóveis e ouro, além de operações de apostas.
O estudo indica que empresas imobiliárias, ao terem contas em bancos com laços com os EUA, podem sofrer impactos indiretos. O objetivo é ampliar o rigor de controles para evitar cruzamentos com redes associadas às facções.
Panorama comparado
Especialistas citam o México como referência, onde cartéis foram classificados como terroristas em 2024. A medida elevou o nível de compliance, elevando custos operacionais, sem interromper exportações. O episódio reforça o potencial efeito dominó sobre cadeias de suprimento.
O debate envolve ainda impactos diplomáticos e soberania: autoridades brasileiras já ressaltaram a necessidade de manter a autoridade nacional diante de sanções estrangeiras. Em casos de empresas que operam em múltiplos mercados, o desafio é equilibrar conformidade e continuidade dos negócios.
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