- Documentos internos mostram que a Shell sabia, desde 2008, que o Gasoduto Nembe Creek Trunk Line operava em condições de integridade técnicas inadequadas, mas manteve o fluxo de petróleo.
- O gasoduto transporta 150 mil barris por dia para Bonny Island, ligando áreas de mangue próximas às comunidades locais, com históricos de furtos que causaram diversos derramamentos.
- Moradores da comunidade ribeirinha de Bille relatam perda de cerca de 2 mil hectares de manguezais e impactos econômicos e ambientais significativos na região.
- Em 2013, documento interno classifica linhas adulteradas como “vermelhas”, exigindo fechamento imediato ou remoção de pontos de furto, decisão que não foi plenamente implementada.
- A ação civil contra a Shell complexa envolve responsabilização por danos entre 2011 e 2013, com a defesa da empresa atribuindo grande parte da poluição a furtos e a ambientes de segurança desafiadores no Delta do Níger.
Global oil company Shell continuou operando o Oleoduto Nembe Creek, no Delta do Níger, mesmo ciente de riscos de poluição na zona úmida costeira. Documentos internos obtidos pela Mongabay indicam que a liderança sabia, desde 2008, sobre as más condições do gasoduto de 97 km.
Os registros mostram que, apesar de avisos de que a infraestrutura operava fora de padrões de integridade técnica e de propostas de interromper as atividades, uma executiva sênior decidiu manter o bombeamento. O gasoduto transporta cerca de 150 mil barris por dia para Bonny Island.
O Nembe Creek Trunk Line tem sido alvo de furtos via ligações ilegais, provocando spill de óleo nas áreas de mangue ao redor de comunidades ribeirinhas. Documento interno de 2013 classifica passagens adulteradas como “vermelhas”, exigindo fechamento imediato ou remoção de pontos de furto.
Representantes da comunidade Bille afirmam que os derramamentos eliminaram cerca de 2 mil hectares de manguezais e afetaram 13,2 mil hectares de área úmida, comprometendo peixes e other vida aquática. Imagens de satélite mostram degradação extensiva na região.
Em resposta enviada à Mongabay, a Shell sustenta que gangues criminosas estão por trás dos spills e destaca dificuldades operacionais no ambiente de segurança do Delta do Níger. A empresa afirma ter colaborado com autoridades e comunidades para a limpeza das áreas afetadas.
Um processo movido em 2015 contra a Shell e a SPDC, a antiga controladora no país, tornou-se o pano de fundo para a divulgação de comunicações internas. Em 2015 a Shell vendeu o gasoduto em questão, segundo registros de mercado.
Os demandantes, membros da comunidade Bille, afirmam que a Shell é responsável pelos danos ocorridos entre 2011 e 2013, questionando a responsabilidade pela poluição. A defesa alega que grande parte do dano decorreu de furtos de óleo.
Entre 2008 e 2013, emails de executivos da Shell mostraram divergências sobre manter ou interromper o fornecimento. Em uma troca, Ann Pickard defendeu a continuidade como “o menor risco” para pessoas e meio ambiente, enquanto o então VP Técnico, Markus Droll, expressou preocupação com a segurança.
A família Bille tenta hoje obter a limpeza completa do poluído e compensação pelos prejuízos. A ação legal contra a Shell deve ter início no início de 2027, conforme informações do processo.
Especialistas indicam que a degradação do mangue na região de Bille é parte de um hotspot de erosão ambiental no Delta Oriental, associada a spills de óleo de décadas. Manguezais são vitais para proteção contra cheias, uso medicinal e identidade cultural local.
A defesa da Shell sustenta que a poluição resulta majoritariamente de furtos e sabotagens, não apenas de falhas operacionais. A companhia argumenta que a remoção de ligações ilegais é complexa e envolve decisões em ambiente com riscos de segurança.
As partes pretendem esclarecer responsabilidades na disputa judicial que envolve comunidades de Bille e a Shell, com o objetivo de resolução sobre limpeza, reparação ambiental e compensação.
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