- As tarifas adicionais propostas pelos EUA sobre produtos brasileiros podem chegar a até 37,5% em alguns itens, mas não abrangem toda a pauta de exportações.
- O governo americano indicou que a recomendação pode alcançar aproximadamente 21% de tudo o que o Brasil vende aos EUA hoje.
- Duas sobretaxas foram propostas: 25% e 12,5%, sendo a de 25% fundamentada em questões de práticas desleais e a de 12,5% por falha no combate ao trabalho forçado.
- Existe exceção para alguns itens; entre eles, produtos semiacabados de ferro e aço e lingotes não aparecem na lista de tributação adicional. Em 2025, esses itens ficaram em segundo lugar no ranking de exportações brasileiras aos EUA, com valor de US$ 3,36 bilhões.
- O governo brasileiro vê a cobrança de 12,5% como mais difícil de reverter, enquanto a de 25% é considerada a principal frente de negociação até a primeira quinzena de julho; há ameaça de utilização da Lei de Reciprocidade, se necessário.
O governo dos Estados Unidos propõe tarifas adicionais sobre produtos brasileiros que, somadas, podem chegar a 37,5%. No entanto, a aplicação não abrangeria toda a pauta de exportação do Brasil para o país, mantendo foco em setores específicos. A estimativa do governo brasileiro aponta que a cobrança anunciada pode afetar aproximadamente 21% do que o Brasil atualmente vende aos EUA.
As sobretaxas em estudo seriam de 25% e 12,5%, cada uma por razões distintas. A tarifa de 25% decorre de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais pela administração norte-americana, incluindo áreas como comércio digital e desmatamento ilegal. Já a cobrança de 12,5% ocorreria por falha no combate ao trabalho forçado.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as regras atuais não contemplam produtos semiacabados de ferro e aço e lingotes. Em 2025, esses itens ocuparam o segundo lugar no ranking das exportações brasileiras aos EUA, com valor de US$ 3,36 bilhões.
Negociação do governo
A equipe econômica brasileira avalia de forma distinta as duas sobretaxas. A cobrança de 12,5% é vista como mais difícil de reverter porque atinge dezenas de países ao mesmo tempo, reduzindo a margem de negociação específica com o Brasil. Em contrapartida, a tarifa de 25% é considerada a principal frente até a primeira quinzena de julho, quando as novas cobranças podem entrar em vigor.
O Palácio do Planalto expressou indignação com as propostas e sinalizou a possibilidade de recorrer à Lei de Reciprocidade, caso seja necessário. O governo afirma que defenderá instrumentos previstos na legislação para enfrentar situações de injustiça comercial contra o Brasil.
- As autoridades ressaltam que a eventual adoção das tarifas não significa fechamento de negociação, mas exige atuação coordenada com as regras do comércio internacional.
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