- A Rosatom quer ampliar a cooperação com o Brasil em tecnologia e economia da energia nuclear, buscando tornar o país um polo de influência russa no setor civil.
- Em Brasília, autoridades russas discutiram construir novas usinas no Brasil, incluindo reatores de grande e pequena capacidade, indo além do fornecimento atual de combustível e radioisótopos.
- A ofensiva ocorre em meio a sanções ocidentais, com a Rússia buscando mercados no Sul Global para manter economia e influência.
- O Brasil é apontado como detentor de um método de enriquecimento de urânio em centrífugas potencialmente mais barato, o que atrai interesse russo pela sua eficiência.
- Há preocupação com possíveis sanções dos Estados Unidos, se a parceria nuclear for interpretada como apoio estratégico a Moscou; o foco permanece civil e pacífico.
A Rússia, por meio da estatal Rosatom, quer transformar o Brasil em parceiro estratégico no setor nuclear civil. Em Brasília e Moscou, o governo russo apresenta propostas de cooperação tecnológica e econômica voltadas para o Sul Global, buscando ampliar espaço após sanções internacionais.
Durante reuniões bilaterais, interlocutores brasileiros sinalizaram interesse em ampliar o desempenho da energia nuclear, indo além do fornecimento de combustível e radioisótopos para a saúde. A ideia é desenvolver novas usinas, com reatores de diferentes capacidades, fortalecendo a relação com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
Intenções e contexto regional
A Rússia aponta a necessidade de manter influência econômica global diante de restrições ocidentais impostas por conflitos na Ucrânia. O país detém parte relevante da capacidade mundial de enriquecimento de urânio e oferece esse know-how a parceiros estratégicos, o que pode criar vínculos de longo prazo com o Brasil.
Tecnologias nacionais de interesse russo
Especialistas destacam a experiência brasileira em enriquecimento de urânio com centrífugas, considerada eficiente e de baixo custo. A prática, associada à Marinha e a órgãos nacionais, é citada como fator de interesse russo para cooperação tecnológica e possível intercâmbio de know-how.
Riscos e cenários políticos
Analistas lembram que o Brasil pode ficar sujeito a sanções secundárias dos Estados Unidos caso a parceria nuclear seja interpretada como apoio estratégico desproporcional a Moscou. As relações bilaterais serão avaliadas sob o prisma de importações e exportações com o mercado americano.
Contexto para o setor civil
A parceria entre Brasil e Rússia permanece focada em aplicações civis, como geração de energia e uso médico. O Brasil é signatário de acordos internacionais que proíbem a produção de armas nucleares, e as negociações costumam priorizar aspectos técnicos e comerciais.
Fonte: Gazeta do Povo.
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