- Mesmo com cessar-fogos negociados pelos EUA, Gaza, o sul do Líbano, o norte de Israel e o Kuwait continuam sob fogo, com ataques aéreos, fogos de artilharia e lançamentos de mísseis.
- Em Gaza, ataques israelenses seguem ativos mesmo após a libertação de reféns; mais de 900 palestinos morreram desde o início do cessar-fogo, e a ajuda humanitária não aumentou de forma relevante.
- No Líbano, a trégua entre Israel e o Hezbollah falhou em consolidar a paz; centenas de mortes desde março elevam o total para mais de 3,5 mil, com ações militares ainda ocorrendo.
- O Irã continua pressionando por acordos envolvendo o Líbano e o Estreito de Ormuz, enquanto ataques murais entre EUA, Israel e Irã persistem e atos de retaliação ocorrem na região.
- Os planos de cessar-fogo não avançaram para acordos duradouros, devido à relutância de os grupos aceitarem concessões necessárias e à menor influência de organismos internacionais na mediação.
Moradores de Gaza, do sul do Líbano, do norte de Israel e do Kuwait estiveram sob fogo cruzado nesta semana, mesmo com cessar-fogos negociados pelos EUA em vigor. As tréguas, anunciadas como medidas para reduzir a violência, não impediram novas ações militares.
Ataques aéreos israelenses atingiram Gaza e o Líbano. Foguetes de grupos alinhados ao Hamas e ao Hezbollah atingiram áreas do norte de Israel, e ataques iranianos atingiram o aeroporto do Kuwait. A continuidade dos hostis mantém o ciclo de violência sob observação internacional.
Donald Trump comentou na quarta-feira que os cessar-fogos no Oriente Médio envolviam tiroteios de maneira mais moderada, sem uma paralisação total. A declaração reforça a percepção de que os acordos não impediram novos confrontos.
O que está acontecendo com o cessar-fogo em Gaza?
Os EUA intermediaram um cessar-fogo entre Israel e Hamas em 10 de outubro de 2025. O acordo previa suspensão de hostilidades, libertação de reféns, troca de prisioneiros e retirada gradual de tropas, com aumento de ajuda humanitária e uma passagem para o Egito.
O plano também previa desarmamento do Hamas, novo governo em Gaza sem o grupo e reconstrução da região. Enquanto reféns foram libertados, a ajuda humanitária não aumentou expressivamente e o Hamas não concordou com o desarmamento. A reconstrução não teve andamento.
Ataques aéreos israelenses continuaram em Gaza, resultando em mais de 900 mortes desde o início do cessar-fogo, com nove mortos na quinta-feira. Militantes palestinos teriam matado quatro soldados israelenses em ações pontuais.
E no Líbano?
Após 2024, o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah foi implementado de forma parcial. A escalada recomeçou em março, com o Hezbollah disparando contra Israel e forças israelenses avançando pelo sul do Líbano, além de bombardeios aéreos.
Trump anunciou, em 16 de abril, um cessar-fogo de 10 dias no Líbano após contatos limitados entre Israel e o governo libanês. Apesar disso, ataques continuaram, com centenas de mortos desde 2 de março, segundo autoridades locais. Israel afirma perdas de 26 soldados e 4 civis em ações do Hezbollah.
O Irã Pressiona por que o cessar-fogo no Líbano faça parte de acordos maiores envolvendo EUA e Israel, além da reabertura do Estreito de Ormuz. Na semana passada, Trump informou que Beirute e Tel Aviv concordaram em um novo cessar-fogo, condicionado à saída do Hezbollah do sul. O Hezbollah não aceitou a trégua.
Os EUA e o Irã consolidarão seu cessar-fogo?
Em fevereiro, EUA e Israel atacaram o Irã para conter programas nucleares e de mísseis. O objetivo era alterar o equilíbrio regional, com o Irã assegurando a imposição de restrições ao estreito e impactos econômicos globais.
No início de abril, Washington anunciou um cessar-fogo com o Irã, com negociações para um acordo duradouro. Rodadas indiretas, mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, não chegaram a um acordo definitivo. O diálogo não avançou para resolução nuclear neste momento.
Durante o período, o Irã também realizou ataques a países do Golfo, incluindo o Kuwait, nesta semana. A expectativa é de que novas rodadas de negociações ocorram, mas sem garantias de sucesso imediato.
Por que as tréguas não foram eficazes?
Os três acordos fracassaram na primeira fase, com os pactos provisórios sem avanços para cessar-fogos duradouros. As partes têm sido relutantes em abrir concessões necessárias para progressos, recuando ao uso de força para testar limites.
Urban Coningham, pesquisador do Royal United Services Institute, afirmou que sem mudanças políticas concretas não há incentivo para cumprir os acordos. A menor influência de organismos internacionais e a ascensão de potências regionais também dificultam acordos de longo prazo.
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