- Psicoterapeutas da Médicos Sem Fronteiras ajudam crianças de Gaza que perderam a capacidade de falar devido a traumas graves, com mais de um milhão de crianças afetadas.
- Um caso citado é Adam, de cinco anos, que deixou de interagir após presenciar a morte do pai e ficar gravemente ferido; dezenas de crianças na região revelam sintomas semelhantes.
•Especialistas apontam que traumas prolongados podem alterar o cérebro, com amígdala maior e córtex pré-frontal subdesenvolvido, prejudicando linguagem, planejamento e interações sociais.
- O trabalho de MSF foca em oferecer espaços seguros, rotinas e apoio psicossocial, mas a entrada humanitária em Gaza está restrita e a equipe internacional não pode entrar desde janeiro; há cerca de mil e seiscentos funcionários locais.
- As autoridades e ONGs continuam a registrar violência persistente após o cessar-fogo, com altas cifras de vítimas civis, e defendem a criação de condições que permitam retorno à escola, à segurança e a uma vida digna para as crianças.
Katrin Glatz Brubakk, psicoterapeuta infantil da organização Médicos Sem Fronteiras, atua em Gaza para apoiar crianças que sofreram traumas capazes de provocar danos cerebrais permanentes. Seu trabalho busca compreender como o sofrimento intenso afeta linguagem, desenvolvimento e funcionamento do cérebro infantil.
Adam era um menino ativo e comunicativo. Aos 5 anos, após a violência em Gaza, passou a não interagir com o mundo ao redor. Em meio a ataques frequentes, muitos menores vivem em condições que limitam o desenvolvimento e a comunicação.
A crise humanitária na região permanece mesmo após o cessar-fogo prometido. Brubakk aponta que mais de um milhão de crianças em Gaza foram expostas a traumas graves ao longo de dois anos de conflito, elevando o risco de impactos duradouros.
O que acontece e quem está envolvido
A equipe de MSF em Gaza acompanha crianças que perderam a capacidade de falar, oferecendo apoio psicológico e social com equipes locais e internacionais. Brubakk realizou duas visitas à região, em 2024 e 2025, para desenvolver estratégias de intervenção.
Casos relatados por profissionais locais indicam um número crescente de crianças afetadas pela interrupção do desenvolvimento da linguagem e por alterações no comportamento. O cenário é agravado pela destruição de infraestrutura de saúde e educação.
Forças em conflito e autoridades internacionais se responsabilizam por ações que dificultam a assistência humanitária. Dados oficiais indicam mortes e feridos em Gaza, com milhares de crianças entre as vítimas, em meio a combates que persistem após o anúncio do cessar-fogo.
O que a experiência de Adam revela sobre o futuro
A perda de fala em crianças com trauma pode refletir em atraso no desenvolvimento cognitivo e social. Brubakk descreve alterações no amígdala, ligada a emoções, e no córtex pré-frontal, relacionado a planejamento e regulação emocional, quando o estresse persiste.
A psicoterapeuta enfatiza que, além do tratamento direto, a criação de ambientes estáveis, retorno à escola e rotinas seguras é essencial para a recuperação. Pequenos gestos de apoio ajudam a reconstruir a confiança das crianças.
O caminho para a recuperação
Embora haja limitações logísticas, há ações de apoio que podem ser implementadas. Brubakk relata que conversas diárias com pais, mães e cuidadores ajudam a manter laços e abrir espaço para a comunicação da criança, investindo em pequenas vitórias na retomada da interação.
A médica reforça que, sem condições seguras, o progresso é lento. Contudo, mesmo diante do cenário, o cuidado contínuo de equipes locais e internacionais pode reduzir o sofrimento silencioso e estimular a reinserção social das crianças.
Contexto e próximos passos
O funcionamento do sistema de saúde em Gaza é afetado pela violência e por restrições de entrada de equipes internacionais. Brubakk manifesta a esperança de retornar a Gaza para ampliar o atendimento, destacando a importância de manter escolas, abrigos seguros e rotinas estáveis.
O sofrimento das crianças, muitas vezes invisível, exige resposta coordenada de autoridades, organizações humanitárias e da comunidade internacional para oferecer um futuro mais estável e seguro a Gaza.
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