- Eleitores peruanos voltam às urnas no domingo (7) para o segundo turno entre Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, e Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, em meio à instabilidade política que não permitiu que nenhum presidente completasse o mandato nos últimos dez anos.
- A mais recente pesquisa da Ipsos aponta vantagem de Fujimori, com 38% dos votos, frente a 35% de Sánchez, após os dois figurearem empatados no fim de abril.
- No primeiro turno, Fujimori teve 17% dos votos; Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo, superou por pequena margem o conservador Rafael López-Ariaga.
- O debate de domingo acirrou o cenário, com a expectativa de que o desempenho de Sánchez possa influenciar a decisão dos eleitores, já que pesquisas não podem ser divulgadas a partir desta segunda-feira.
- O pleito ocorre em meio a uma crise de governança, com o Congresso, sob influência de forças ligadas a Fujimori e aliados, exercendo controle que, segundo analistas, contribui para a desconfiança e a fragmentação do eleitorado.
Em meio a uma crise política que se arrasta há anos, os eleitores peruanos vão às urnas neste domingo, 7 de julho, para decidir o segundo turno entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O pleito ocorre em um cenário de instabilidade e sem maioria clara no Congresso.
Fujimori, do Fuerza Popular, aparece na dianteira em pesquisas, com 38% contra 35% de Sánchez, segundo a última divulgação da Ipsos. No primeiro turno, a fragmentação do eleitorado ajudou a consolidar a votação entre 35 candidatos.
A depender do resultado, o Peru pode escolher o décimo presidente em uma década, em meio a promessas de combate à criminalidade e de reformas institucionais, frente a propostas de maior presença do Estado e desenvolvimento social apresentadas por Sánchez.
O debate e as evidências de campanha
No debate de domingo, Sánchez teve desempenho favorável e ressaltou propostas de inclusão regional e combate à corrupção. Fujimori, por sua vez, destacou a necessidade de ordem, crescimento econômico e endurecimento de políticas de segurança.
A proximidade das eleições reacende temores sobre fraude eleitoral. Fujimori sinalizou receio de irregularidades sem reconhecer amplamente as regras, lembrando episódios de 2021. Sánchez aparece vinculado a uma visão de mudanças estruturais.
O eleitorado também observa o peso do histórico político. Fujimori sustenta legado de um governo visto como autoritário por críticas aos direitos humanos. Sánchez enfrenta o desafio de apresentar uma alternativa percorrível diante da crise.
O peso do Congresso e a governança
O pleito ocorre em momento em que o Congresso, refeito em modelo bicameral, tem papel crucial na governança. A Fuerza Popular volta a ser a força mais numerosa, com Renovación Popular ao lado, o que aumenta a percepção de controle sobre o Legislativo.
Especialistas apontam que a situação política favorece o equilíbrio entre Executivo e Legislativo apenas se houver maioria estável e cooperação entre as casas. A instabilidade de mandatos anteriores continua sendo referência no discurso público.
A disputa envolve ainda o futuro institucional do país, incluindo a atuação do Senado na aprovação de leis e na nomeação de altas Órgãos. A composição atual tem impacto direto sobre a capacidade de implementação de políticas públicas.
Contexto nacional e impactos
Economia, segurança e serviços públicos aparecem entre as principais prioridades de votação. A população expressa cansaço com a crise de governança, que molda o comportamento do voto e a percepção sobre quais propostas são mais confiáveis.
Analistas ressaltam que o resultado pode redefinir a relação entre Executivo e Congresso, bem como o tom da política peruana nos próximos anos. O desfecho é visto como uma resposta direta ao anseio por estabilidade ou por mudanças profundas.
Entre na conversa da comunidade