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Famílias de desaparecidos no México usam álbum de figurinhas da Copa na busca

Famílias de desaparecidos no México transformam álbum de figurinhas da Copa em campanha de busca, com protestos em frente a estádios e visibilidade internacional

Às vésperas da Copa do Mundo, álbum de figurinhas vira item de protesto em meio à crise de desaparecidos no México
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  • Famílias de desaparecidos no México transformam figurinhas de álbum da Copa em cartazes para divulgar rostos de cerca de 132,5 mil pessoas desaparecidas.
  • O México sediará cinco jogos da Copa, incluindo a abertura em 11 de junho, com manifestações previstas perto do Estádio Azteca.
  • Cartazes mostram pessoas desaparecidas vestindo a camisa do México em formato de figurinhas; há também iniciativas chamadas Caritas por la Memoria, partidas informais de futebol com os rostos das vítimas.
  • Héctor Daniel Flores Fernández, desaparecido desde 2021, é citado pela família; em 2025 um tribunal reconheceu o desaparecimento forçado com participação de agentes do Estado, ainda sem localização do jovem.
  • Organizações internacionais ressaltam falhas do Estado na crise, com CIDH e ONU discutindo o tema; foram encontradas valas clandestinas com restos humanos próximos ao estádio de Guadalajara.

Famílias de desaparecidos no México transformam o álbum de figurinhas da Copa do Mundo em ferramenta de busca. Em meio às celebrações do Mundial, coletivos adaptam o símbolo do torneio para divulgar rostos de cerca de 132,5 mil brasileiros e mexicanos ainda desaparecidos no país.

A iniciativa busca unir futebol e denúncia de narcotráfico, desaparecimentos forçados e falhas do Estado. Cartazes em formato de figurinhas reproduzem fotos de desaparecidos com a camisa da seleção mexicana, distribuídos em Guadalajara e em pontos da cidade.

Contexto do movimento

Às vésperas da abertura da Copa, a cidade do México e o federal estão no radar de ações de familiares que procuram seus entes perdidos. O estádio Azteca receberá partidas, inclusive a de abertura, em 11 de junho.

A campanha envolve cerca de 400 famílias buscadoras, com ênfase em pais e mães que atuam de forma independente. O objetivo é ampliar a visibilidade dos casos junto ao público da Copa, segundo relatos de ativistas.

Ações em campo

Além dos cartazes, surgem as Caritas por la Memoria, partidas informais com jogadores que usam camisas com rostos das pessoas desaparecidas. As atividades visam levar a pauta para além dos protestos, dialogando com torcedores e visitantes.

Héctor Flores, ativista de Guadalajara, faz parte do Coletivo Luz de Esperança. Seu filho, Héctor Daniel, desapareceu em 2021 após ser retirado por homens que se apresentaram como agentes da Fiscalía Estatal. O caso é considerado desaparecimento forçado por tribunal federal desde 2025.

Busca por apoio institucional

Especialistas destacam falhas no aparato público no combate aos desaparecimentos. O Centro ProDH ressalta a necessidade de ampliar informações para públicos diversos, especialmente durante eventos internacionais como a Copa.

Relatórios da CIDH indicam envolvimento de agentes estatais em alguns casos, e o Comitê das Nações Unidas pediu que a ONU trate da situação mexicana. A violência e o narcotráfico continuam como causas centrais da crise.

Cenário local de violência e impacto

Guadalajara figura como polo de violência e abriga 16 mil casos de desaparecimentos, conforme dados do CJNG ligado à organização criminosa. Em novembro de 2025, uma vala clandestina com restos de 62 pessoas foi encontrada a cerca de 10 quilômetros do estádio que sediará jogos da Copa.

Autoridades e coletivos relatam pressão para reduzir a visibilidade dos casos por parte de governos locais. Anistia Internacional aponta tentativas de remoção de cartazes da Glorieta dos Desaparecidos, em Guadalajara.

Posicionamento oficial e próximos passos

O governo federal afirmou, em coletiva de imprensa, manter diálogo com familiares e coletivos de busca. Não houve resposta definitiva das autoridades de Jalisco e da prefeitura de Guadalajara sobre os contatos solicitados.

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