- Mongbwalu, cidade mineradora no leste do Congo, está no epicentro do atual surto de ebola, impulsionado pela atividade de ouro na região.
- O surto, um dos maiores já registrados, teve início em fevereiro e só foi reconhecido oficialmente em quinze de maio, causado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não há tratamento disponível.
- Autoridades estimam que mais de oitenta pessoas morreram de ebola nas semanas que antecederam a detecção do surto; as minas reúnem trabalhadores de várias províncias e países vizinhos.
- Mumbere Saidi, garimpeiro de vinte e sete anos, morreu após procurar ajuda médica em seis clínicas; a desconfiança sobre a doença persiste entre moradores e trabalhadores.
- Na prática, as condições de trabalho são precárias e expõem os garimpeiros a riscos como o manuseio de mercúrio; a renda semanal fica entre setenta e duzentos e trinta e dois dólares, dependendo da produção.
O surto de ebola no Congo tem se concentrado em Mongbwalu, cidade mineradora do cinturão de ouro de Kilo-Moto, Ituri. O vírus Bundibugyo, menos conhecido, espalha-se entre garimpeiros e moradores desde fevereiro, sendo detectado pelas autoridades apenas em 15 de maio. O foco inclui minas locais onde o ouro sustenta a economia e atrai trabalhadores de várias regiões.
Mumbere Saidi, 27 anos, deixou a família para trabalhar nas minas após ataques de grupos ligados ao extremismo na região. Ele trabalhava duro para manter a esposa e a filha, enviando dinheiro quando o momento era favorável e lutando contra a pobreza quando não havia ouro suficiente. A doença atacou a casa dele recentemente.
A retirada do corpo de Saidi foi realizada pela Cruz Vermelha, com profissionais de proteção guiando o protocolo. A cidade já contabiliza várias mortes pela doença apenas em sua vizinhança, antes de o surto ser reconhecido oficialmente. As autoridades acompanham a evolução dos casos com cautela.
Confinada entre ouro e desinformação
As minas de Mongbwalu atraem homens que trabalham lado a lado, usando mercúrio para extrair pepitas. No custo humano, trabalhadores relatam ganhos semanais que variam entre US$ 136 e US$ 272, dependendo da produção, enquanto o uso de mercúrio oferece riscos graves à saúde.
A população local descreve uma resistência à ideia de que a doença exista ou seja séria, alimentando desinformação e receios sobre o tratamento. Em várias áreas, boatos sobre hospitalização e injecções apenas aumentam a desconfiança entre moradores e trabalhadores.
Questionada sobre o que está ocorrendo, uma líder comunitária e garimpeira citou a necessidade de ver evidências para crer no vírus. Enquanto isso, muitos seguem trabalhando, priorizando a renda diante de um ambiente de insegurança e de serviços de saúde limitados.
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