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Relatório acusa 18 países por graves violações à liberdade religiosa

Relatório dos EUA aponta dezoito países como CPCs por violações graves à liberdade religiosa, incluindo Índia, China e Irã, elevando a preocupação global

(Foto: Imagem gerada por Inteligência Artificial)
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  • A USCIRF recomendou, em seu relatório de 2026, classificar dezoito países como CPCs e acrescentar Nigéria, Afeganistão, Índia, Líbia, Síria e Vietnã às designações, além de 12 que já apareciam na lista do Departamento de Estado em 2023.
  • A Índia é apresentada como um dos piores países em liberdade religiosa, com acusações de ascensão do nacionalismo hindu e impactos sobre minorias desde 2019 ou 2020.
  • A China permanece na lista de CPCs, com críticas à repressão de grupos religiosos como muçulmanos uigures, tibetanos e cristãos, e casos de presos políticos ressaltados pela comissão.
  • O comissário Stephen Schneck afirma que a situação global piora e ressalta o peso político de manter a designação, citando interesses estratégicos dos EUA na relação com a Índia e a China.
  • Schneck encerrou o mandato em maio de 2026, destacando o impacto emocional do trabalho e informou que continuará atuando em organizações católicas voltadas à justiça social, clima e antipena de morte.

O relatório da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) para 2026 aponta 18 países classificados como “países de preocupação particular” (CPCs), destacando violações graves à liberdade de fé em escala global. O encerramento do mandato 2025-2026 da USCIRF ocorreu recentemente, e o comissário Stephen Schneck resumiu o panorama como um declínio contínuo na proteção a crentes ao redor do mundo.

Schneck afirmou que os problemas aparecem com maior frequência e intensidade do que há dez anos, destacando uma deterioração da liberdade religiosa em vários empregos. O documento recomenda oficialmente a classificação de 18 países como CPCs, sinal de gravidade das violações.

Entre os CPCs listados estão 12 países já designados pelo Departamento de Estado dos EUA em dezembro de 2023, como Birmânia, China, Cuba, Eritreia, Irã, Nicarágua, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia, Arábia Saudita, Tajiquistão e Turcomenistão. A lista inclui ainda Nigéria, designada pelo então presidente Donald Trump em 2025, além de cinco recomendações adicionais: Afeganistão, Índia, Líbia, Síria e Vietnã.

A Índia figura entre os países com pior avaliação da liberdade religiosa, segundo a análise da USCIRF ao longo da última década. Schneck apontou que a comissão recomenda ao governo americano a designação da Índia como CPC desde 2020, destacando uma situação “particularmente trágica” em um país conhecido por tradições democráticas. O principal motor citado é um nacionalismo religioso forte, especialmente o promovido politicamente pelo Bharatiya Janata Party (BJP) do primeiro-ministro Narendra Modi.

O comissário destacou que a violência não se limita a incidentes isolados, mas atinge populações inteiras, como muçulmanos, tibetanos, cristãos e até a Igreja Católica sob pressão na China. Schneck mencionou também dificuldades de justificativa da designação CPC pelo Departamento de Estado, sugerindo razões geopolíticas e comerciais para manter a Índia fora da lista. A China, por sua vez, permanece como CPC, com preocupação reiterada sobre prisões, repressões religiosas e casos de alto perfil, como o de Jimmy Lai, defendido pela USCIRF como parte de situações mais amplas.

Ao longo do período, Schneck relatou que o panorama mundial da liberdade religiosa se torna mais vulnerável, com episódios de violência de multidões contra crentes ganhando espaço com relativa impunidade legal, sob controle ou influência de governos. A situação não se restringe a indivíduos, estendendo-se a comunidades religiosas inteiras em várias regiões.

Maio marcou o fim do mandato de Schneck e de outros seis comissários. Ele disse que a responsabilidade de defender a liberdade religiosa diante desse cenário é intensa, mas gratificante ao ver impactos reais nas vidas de pessoas que sofrem perseguição. Schneck afirmou que a experiência fortaleceu sua fé e explicou a vocação que o levou ao serviço da USCIRF.

Após deixar a USCIRF, Schneck pretende manter o engajamento em defesa da liberdade religiosa por meio de outras organizações. Ele continua ligado a entidades católicas de atuação social e ambiental e à promoção de causas pró-vida, mantendo o foco em justiça social e direitos humanos.

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