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Violência sexual em zonas de conflito mais que dobra, alerta ONU

ONU aponta que violência sexual ligada a conflitos quase dobrou, com 9.788 casos em 2025, e identifica forças armadas da Rússia e de Israel como autoras estatais

O documento traz amplos dados de ocorrências de violência sexual em contextos de guerra e como os abusos são usados como forma de controle de regiões e grupos — Foto: Salah Darwish/Unsplash
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  • A ONU informou que 9.788 casos de violência sexual associados a conflitos ocorreram em 2025, o que representa mais do que o dobro do ano anterior.
  • Os abusos ocorreram em 21 países em guerra e incluem estupro, estupro coletivo, escravidão sexual, casamento forçado, tráfico de pessoas e sequestros, com vítimas principalmente mulheres e meninas.
  • O relatório aponta tanto atores estatais quanto não estatais como responsáveis, incluindo forças armadas da Rússia e de Israel; grupos armados não estatais na República Democrática do Congo também aparecem na lista.
  • A violência é utilizada como tática de guerra para controle de territórios e repressão política, e há subnotificação que sugere uma tendência global de aumento.
  • A representante especial da ONU para violência sexual em conflitos ressaltou a necessidade de proteger as vítimas, enquanto Israel contestou a inclusão de suas forças no relatório.

Em relatório divulgado em 29 de maio, a ONU aponta que quase 10 mil casos de violência sexual ligados a conflitos ocorreram em 2025, registrando mais que o dobro do ano anterior. Pramila Patten, Representante Especial sobre Violência Sexual em Conflito, diz que os abusos são táticas de guerra, tortura, terrorismo e repressão política.

O documento oficial confirma 9.788 ocorrências de violência sexual associadas a conflitos e sinaliza que o total reflete subnotificações e uma tendência global crescente. O texto associa o fenômeno ao aumento da insegurança entre sobreviventes em contextos de guerra.

Esses crimes abrangem estupro, estupro coletivo, escravidão sexual, casamento forçado, tráfico de pessoas e sequestros em 21 países em conflito. As regiões vão da África ao Oriente Médio, Europa e Caribe, com atuação de atores estatais e não estatais.

A amostra aponta que mulheres e meninas são as principais vítimas, mas casos envolvendo LGBT+, pessoas com deficiência e outras comunidades também foram registrados. A disponibilidade de armas leves é associada ao agravamento da violência em cenários de conflito.

A ONU lista 77 partes responsáveis, sendo 62 atores não estatais. Entre os novos indicados estão três grupos armados não estatais na República Democrática do Congo, além de forças armadas de Rússia e Israel.

Em resposta, a ONU menciona críticas de representantes de países. Danny Danon, embaixador de Israel na Organização, chamou a decisão de calúnia de sangue e suspendeu relações com o secretário‑geral da ONU em 28 de maio.

A referência ao relatório de 2024, apresentado ao Conselho de Segurança em agosto, já havia incluído o Hamas como entidade fortemente suspeita. Na época, Guterres avisou que Israel poderia entrar no relatório seguinte se não adotasse medidas contra denúncias envolvendo prisioneiros palestinos.

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