- Milhares participaram de uma marcha silenciosa em Fleurance, em homenagem à Lyhanna, menina de 11 anos assassinada, com muitos ocupando camisetas brancas.
- Lyhanna desapareceu em 29 de maio após entrar em um carro cinza; o corpo foi encontrado sete dias depois em um silo de grãos desativado, a cerca de 15 km do local do desaparecimento.
- O suspeito é Jérôme Barella, pai de duas crianças e funcionário de limpeza escolar, que já era monitorado pela polícia desde 2017, mas não foi questionado antes do crime.
- Descobertas mostram acusações prévias: em agosto uma mãe afirmou que Barella estuprou a filha de 10 anos; o caso foi encaminhado em janeiro ao Ministério Público, mas não houve prosseguimento inicial.
- O caso gerou débito público sobre falhas do sistema judiciário francês; o ministro da Justiça mencionou atraso na análise de denúncias e o presidente reconheceu falhas graves.
Um ato silencioso reuniu milhares de pessoas neste domingo na vila de Fleurance, no sudoeste da França, para homenagear Lyhanna, menina de 11 anos assassinada. A marcha seguiu os pais da criança, sob uma faixa com a frase Never again, enquanto muitos participantes vestiam camisas brancas com a foto da vítima.
A comoção ganhou contornos de revolta após o conhecimento de que suspeitas sobre o eventual autor já cogitadas pela polícia não foram ouvidas. O homem detido pela investigação de seu desaparecimento e homicídio era alvo de indícios desde 2017, sem que fosse chamado para prestar depoimento.
Formação do caso e falhas nos procedimentos
Lyhanna desapareceu em 29 de maio, após ser vista entrando em um carro cinza, supostamente pertencente a Jérôme Barella, 44 anos, pai de dois filhos e zelador de escola. O corpo foi encontrado quinze quilômetros do local do desaparecimento.
O inquérito inicial, que envolvia relatos de abusos sexuais contra menores, foi encaminhado pelo policial de Toulouse ao Ministério Público em Auch, em janeiro, com instrução para questionar Barella. Agesta permanece sem resposta por parte da prisão, com semanas de atraso na abertura do arquivo e na designação de agentes.
Relatos anteriores indicam outras acusações contra Barella. Em 2017, uma mãe relatou que o filho de 17 anos dele mantinha relação com a menina e a relação foi encerrada em 2018 após ela dizer ter consentido. Em 2021, ele foi afastado de uma escola por comportamento inadequado com uma aluna online.
Em janeiro de 2022, Barella foi acusado de estupro de uma criança de sete anos em residência particular. O caso foi encaminhado ao Ministério Público local, mas foi arquivado em 2024 por falta de provas, segundo a promotoria de Auch, Clémence Meyer, que citou limitações médicas e psicológicas para confirmar as acusações.
Uma nova acusação de estupro foi registrada na semana passada, ainda sem detalhes divulgados.
Repercussões e posicionamentos oficiais
O caso desencadeou um debate nacional sobre as falhas do sistema de justiça francês, com críticas a atrasos na atuação policial. O presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas consideradas inaceitáveis e afirmou que responsabilidades devem ser apuradas por meio de uma investigação oficial.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que o país enfrenta um backlog de cerca de 3 milhões de queixas policiais, incluindo cerca de 70 mil denúncias de estupro ou agressão sexual. Darmanin afirmou que houve falhas no acompanhamento das denúncias e assumiu responsabilidade, destacando a necessidade de priorizar casos de abuso sexual.
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