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Países ricos disputam jovens qualificados com vistos restritos

Vistos criados após a pandemia atraem jovens qualificados, mas geram impactos em habitação, custo de vida e integração no mercado de trabalho

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  • Países ricos passaram a criar vistos para jovens qualificados após a pandemia, buscando atrair mão de obra e contornar o envelhecimento populacional.
  • Alemanha lançou, em junho de 2024, o Chancenkarte, visto de até um ano para buscar emprego sem contrato, com exigência de diploma, pelo menos seis pontos no sistema de avaliação e about € 12 mil em conta; é permitido trabalhar até 20 horas por semana durante a busca.
  • Japão criou, em 2024, um visto para trabalhadores remotos com renda anual mínima de 1 milhão de ienes (R$ 31 mil) e validade de até seis meses; até 2025 havia pouco mais de 1008 estrangeiros nesse status, sem brasileiros entre eles.
  • Portugal aprovou o visto D8 para trabalhadores remotos em 2022, com renda mensal mínima de € 3.680; o programa teve crescimento significativo entre 2024 e 2025 entre brasileiros, e o governo abriu centros de atendimento no Brasil para reduzir o tempo de espera.
  • Em todos os casos, governos destacam o desafio demográfico: envelhecimento acelerado, menor natalidade e necessidade de mão de obra jovem, com impactos em habitação, preços e políticas de imigração.

Atores ricos disputam jovens qualificados por meio de vistos criados para facilitar a entrada de mão de obra. Países trabalharam em reformas após 2020, período em que a pandemia acelerou o trabalho remoto.

Na Alemanha, o Chancekarte permite entrar por até um ano para buscar emprego sem contrato prévio. É preciso diploma, ao menos seis pontos no sistema de avaliação e cerca de € 12 mil em conta. O trabalho pode ocorrer por até 20 horas semanais durante a busca.

Quem obtém vaga pode regularizar a situação sem retornar ao Brasil. O Ministério do Trabalho estima queda de 40 mil trabalhadores disponíveis em 2026; atualmente 21% da população tem 67 anos ou mais, segundo Destatis.

Alemanha amplia critérios, números e impactos

Desde o lançamento, o governo emitiu pouco mais de 11 mil vistos até junho de 2025, com meta de 30 mil por ano. O relato de brasileiras no país aponta barreiras financeiras para acessar o programa, já que o montante exigido representa anos de salário mínimo no Brasil.

Japão lança visto para trabalhadores remotos

O Japão criou, em 2024, um visto para trabalhadores remotos com renda anual mínima de 1 milhão de ienes. A permanência é de até seis meses. Em 2025, apenas 137 estrangeiros utilizavam a modalidade; até o fim de 2024, eram 196 entradas.

Motivos demográficos e resultados no Japão

O país enfrenta envelhecimento; quase 30% tem mais de 65 anos. Em 2024, nasceram 721 mil crianças, o menor número em 75 anos. O critério de renda visa assegurar base econômica estável durante a estadia, segundo o governo.

Portugal adota visto para nômades digitais

Portugal criou o visto D8 em 2022 para trabalhadores remotos. Requisitos: renda mensal mínima de € 3.680 e contrato com empresa estrangeira ou atuação como freelancer. Nos dois primeiros anos, 552 vistos para brasileiros; em 2025, 2.697.

Brasil tem alta demanda e desafios locais

Até maio de 2026, entraram 1.232 pedidos no Brasil; o governo português centralizou o processamento na embaixada em Brasília e abriu cinco centros de atendimento. O mercado de habitação sofreu alta de preços, associada à chegada de trabalhadores digitais.

Contexto europeu e outras iniciativas

A Estônia foi pioneira, em 2020, ao criar o primeiro visto para nômades digitais. O Reino Unido lançou, em 2022, o High Potential Individual voltado a formados em universidades consideradas top globais.

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