- Congresso da Bolívia aprovou lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz a recorrer a militares para desobstruir vias bloqueadas por manifestantes.
- Protests seguem há mais de um mês, envolvendo camponeses e profissionais dos transportes, contribuindo para a pior crise econômica em quatro décadas.
- Paz avalia declarar estado de exceção, o que permitiria maior uso das forças e restrições a reuniões e mobilização.
- Até agora, participação militar tem sido limitada; bloqueios causam queda no abastecimento de alimentos, remédios e combustíveis em La Paz e El Alto.
- No fim de semana, a tropa de choque atirou gás contra manifestantes em San Julián, deixando seis militares e 14 civis feridos.
O Congresso da Bolívia aprovou no domingo, 7, uma lei que autoriza o presidente Rodrigo Paz a recorrer a militares para desobstruir vias bloqueadas por manifestantes. Os bloqueios afetam várias regiões do país e seguem em meio à pior crise econômica em quatro décadas.
O texto aprovado permite ao Executivo acionar as Forças Armadas durante o estado de exceção, com o objetivo de restabelecer a circulação em estradas estratégicas. A decisão foi anunciada após 15 horas de sessão na Câmara dos Deputados.
Paz, que está no cargo há seis meses, já sinalizou a possibilidade de decretar o estado de exceção. O uso ampliado da força é visto como medida para garantir livre tráfego e funcionamento de serviços básicos.
Desde o início dos protestos, camponeses, trabalhadores do transporte e outros grupos bloqueiam estradas em pelo menos 80 pontos do país. As ações provocam escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos em La Paz e El Alto.
No sábado, agentes da tropa de choque lançaram gás contra manifestantes no povoado de San Julián, em Santa Cruz, ferindo seis militares e 14 civis. Os confrontos destacam o risco de escalada do conflito.
As forças de segurança têm mantido a linha de frente com movimentos de desbloqueio em vias estratégicas, enquanto os bloqueios se repetem por dias e noites. A população aguarda com filas longas por itens básicos, principalmente combustível.
O governo atribui os protestos a fatores políticos e econômicos, afirmando que a violência ameaça direitos constitucionais. Líderes de oposição e de movimentos sociais mantêm posições divergentes sobre diálogo e renúncia do presidente.
A respeito do cenário internacional, autoridades norte-americanas e de outros países da região manifestaram apoio ao governo boliviano, ao tempo em que ex-presidente Evo Morales nega envolvimento direto nos protestos e se mantém em Chapare, sob investigação por outros conflitos.
Em meio à tensão, Paz tem reiterado o apelo ao diálogo, sem adesão expressiva das principais organizações que lideram as manifestações, que dizem buscar reajuste salarial e mudanças políticas.
A crise persiste com impactos diretos no abastecimento e na vida cotidiana, revelando a dificuldade de se manter serviços essenciais funcionando enquanto o impasse político se estende.
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