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Por que Xi Jinping visita Coreia do Norte e impactos na disputa com a Rússia

Xi Jinping visita a Coreia do Norte para conter a aproximação com a Rússia e proteger a estabilidade da fronteira e interesses estratégicos da China

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  • Xi Jinping visita a Coreia do Norte para tentar recuperar influência de um aliado estratégico, mantendo a estabilidade da fronteira chinesa.
  • A China busca agir como mediadora entre Pyongyang e Washington, mas pode ter interesses adicionais na reunião.
  • Autoridades ocidentais alertam para a aproximação entre Coreia do Norte e Rússia, que preocupa a China.
  • O dígito de cooperação militar entre Coreia do Norte e Rússia aumentou após o pacto de defesa mútua assinado em Pyongyang, em 2024.
  • As exportações chinesas para a Coreia do Norte atingiram cerca de US$ 2,3 bilhões no último ano, e o serviço ferroviário Pequim-Pyongyang foi retomado.

O que está em jogo com a visita de Xi Jinping à Coreia do Norte é preservar influência e estabilidade na região diante da aproximação entre Pyongyang e Moscou. A viagem ocorre em meio a mudanças estratégicas no cenário regional, em que a China busca manter seus interesses sem se envolver em crises com o regime norte-coreano.

A Coreia do Norte e a China mantêm uma relação histórica marcada por severa dependência e cooperação. Embora sejam aliados, a relação é descrita com base em vínculos históricos e estratégicos, não em plena confiança. Xi busca reter influência diante da atuação cada vez mais autônoma de Kim Jong-un.

A visita de Xi ocorre em um momento de atenção internacional às relações entre Coreia do Norte, Rússia e Estados Unidos. Pequim tem sido cautelosa com o programa nuclear norte-coreano, para evitar ampliar a presença militar norte-americana na região.

Mudanças nas relações

Autoridades em Seul avaliam que a China tenta posicionar-se como mediadora entre Pyongyang e Washington. Contudo, fontes ocidentais indicam que Beijing pode ter outros objetivos estratégicos, além da mediação.

A aproximação entre Coreia do Norte e Rússia se tornou tema sensível desde o encontro entre Kim e Putin. Em Pyongyang, o pacto de defesa mútua firmado em 2024 evidencia coordenação militar crescente.

Segundo a BBC, estima-se que cerca de 2.300 soldados norte-coreanos morreram em ações ao lado das forças russas na Ucrânia. A Coreia do Norte também é acusada de fornecer munições a Moscou, em troca de recursos e apoio econômico.

Contexto geopolítico

Analistas destacam que a China está preocupada com o avanço da cooperação entre Rússia e Coreia do Norte, que pode desviar atenções dos EUA e, ainda assim, aumentar a pressão sobre a região. Em contrapartida, o endurecimento de Beijing com Pyongyang pode agravar tensões com Washington.

A China mantém apenas um tratado formal de defesa, com a Coreia do Norte, o que reforça a dependência de Pequim nessa relação. Um Kim Jong-un mais autônomo poderia reduzir a capacidade de pressão de Beijing sobre Pyongyang.

Relação pragmática

As exportações chinesas para a Coreia do Norte atingiram US$ 2,3 bilhões no ano passado, o maior valor em seis anos. O restabelecimento do serviço ferroviário China-Pequim a Pyongyang, no início deste ano, também sinaliza um movimento estratégico.

Kim Jong-un, por sua vez, busca manter a China como principal parceira econômica e estratégica, evitando depender apenas de Moscou. A China, por sua vez, pretende manter influência mesmo com a diversidade de alianças regionais.

A relação entre os dois países permanece marcada por tensões antigas. A China já demonstrou desconforto com o rumo do programa nuclear norte-coreano, mas evita confrontos diretos para não empurrar Pyongyang para a órbita de Putin.

> Reportagem adicional de Kelly Ng.

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