- Polícias do Reino Unido registram que centenas, talvez milhares, de casas são invadidas por gangues toda semana para armazenamento e venda de drogas, via prática chamada cuckooing (ocupação criminosa de residências vulneráveis).
- O cuckooing ainda não é crime específico, mas deverá virar crime até o fim do ano, com pena máxima de cinco anos, conforme a Lei de Crime e Policiamento de 2026.
- Entre maio de 2025 e abril de 2026, a polícia de Londres registrou 1.539 casos de cuckooing, sendo 1.275 vítimas homens.
- Casos ilustram abusos graves: Jackie, que teve a casa ocupada por longos meses, hoje auxilia vítimas; Jamie, 34 anos, vítima de lesão cerebral, relata agressões e golpes para ficar sem saída, saindo apenas meses depois.
- A Polícia Metropolitana fez visitas a 683 endereços suspeitos; houve aumento de investigações de 380 em 2023/2024 para 1.078 em 2025/2026; o governo prevê investimentos para combater o crime, incluindo 34 milhões de libras no programa County Lines.
O que acontece: no Reino Unido, centenas — possivelmente milhares — de casas são invadidas por criminosos semanalmente para armazenar e vender drogas. O fenômeno, conhecido como cuckooing, envolve ocupação de residências vulneráveis por gangues.
Quem está envolvido: vítimas vulneráveis, incluindo idosos e pessoas com deficiência, e traficantes que transformam imóveis em pontos de venda. Chefes de polícia e o NPCC alertam sobre casos de chantagem, violência e exploração dentro de casa.
Quando e onde: dados da polícia de Londres apontam 1.539 registros de cuckooing entre maio de 2025 e abril de 2026, com 1.275 vítimas homens. A capital aparece como eixo de um problema que se espalha pelo país.
Por que isso acontece: o cuckooing surge na prática de facilitar operações de drogas, especialmente quando as redes de traficantes ocupam imóveis para evitar detecção. A prática ainda não tem crime específico no Reino Unido, o que dificulta a contabilidade formal.
Casos emblemáticos
Jamie, 34 anos, sofreu lesão cerebral após ataque com garrafa de vidro. Gangue ocupou seu apartamento para vender drogas, roubou itens pessoais e humilhou a vítima. Ele conseguiu deixar o imóvel no início deste ano, buscando recomeçar.
Outra vítima, Jackie, relata ter sido mantida escrava dentro de casa por meses devido a uma dívida com traficantes. O ocupante segurou o espaço até que as autoridades fossem avisadas, após longos períodos de sofrimento.
Insalubridade e condições
Durante visitas a imóveis suspeitos, a BBC verificou sinais de insalubridade: lixo, portas danificadas, cheiros fortes e ambientes degradados. Em uma casa, frango cru na pia, fezes no ambiente e móveis improvisados como cama foram registrados.
Dados e percepção pública
Policiais da Polícia Metropolitana afirmam que o perfil de vítimas tende a incluir homens brancos entre 40 e 49 anos com dependência de drogas, com relatos de repetição de casos. O aumento de registros pode refletir maior conscientização e alterações na coleta de dados.
A atuação policial
Antes da tipificação do cuckooing como crime, agentes tentam enquadrar suspeitos por posse de drogas ou outras acusações. Ordens de fechamento temporário têm sido usadas para interromper ocupações, embora vítimas questionem a eficácia dessas medidas.
Perspectivas de política pública
A Lei de Crime e Policiamento de 2026 deve tornar o cuckooing crime com pena de até cinco anos. A legislação depende de orientações oficiais ao público policial antes da entrada em vigor. O governo também ampliou investimentos no Programa County Lines para enfrentar o problema.
Fontes e impactos
Estudos e relatos de vítimas sugerem que muitas passam por traumas, com receio de buscar ajuda. Pesquisadora destaca a necessidade de reconhecer vulnerabilidade como condição de vitimação, não apenas como fator de risco.
Conclusão institucional
O NPCC afirma trabalhar para aumentar a confiança das vítimas, esperando que a nova tipificação fortaleça o combate. Autoridades ressaltam que o problema é complexo e exige ações integradas de proteção, fiscalização e suporte às pessoas afetadas.
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