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Conflitos armados em 2025 atingem maior nível desde a Segunda Guerra, diz estudo

Conflitos em 2025 chegam a 65, o maior total desde 1946, com cerca de 245 mil mortes; estudo aponta EUA e Israel como fatores de escalada da violência

Destroços de edifício atacado por bombardeio de Israel em Khan Yunis, na Faixa de Gaza
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  • Em 2025, foram registrados 65 conflitos envolvendo ao menos um Estado, o maior número desde 1946, segundo o Prio.
  • O ano teve cerca de 245 mil mortes por combates ou violência política, sendo 76,5 mil ataques deliberados contra civis; aproximadamente 60 mil dessas mortes ocorreram no Sudão (Região de Al-Fashir/Darfur).
  • Conflitos diretos entre Estados quase dobraram em relação a 2024, chegando a oito — o maior nível dos últimos oitenta anos.
  • O estudo aponta papel dos Estados Unidos na escalada de tensões e aponta Israel entre os países mais agressivos, com atuação na Faixa de Gaza, Síria, Líbano e frente ao Irã.
  • A África continua sendo a região com maior number de conflitos entre Estados (29 casos), em um cenário global de crises simultâneas e polarização internacional.

O mundo enfrenta uma escalada de violência sem precedentes desde a Segunda Guerra. Em 2025, o estudo Conflict Trends, do Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo (Prio), registrou 65 conflitos envolvendo Estados e cerca de 245 mil mortes. O relatório aponta aumento de ataques contra civis e maior confrontação direta entre países.

Segundo o levantamento, a quantidade de conflitos entre Estados chegou ao maior nível desde 1946, e os confrontos diretos entre nações dobrou em relação a 2024, alcançando oito episódios. A mortalidade somada decorre de combates, violência política e massacres na região do Darfur, no Sudão, que teriam causado aproximadamente 60 mil mortes.

A pesquisadora Siri Aas Rustad, responsável pelo relatório, afirma que os números de 2025 rompem padrões anteriores e destacam uma tendência de crise contínua. Ela ressalta que, embora haja períodos com menos conflitos, o cenário atual mostra conflitos simultâneos em várias regiões do planeta.

Conflitos que se sucedem sem interrupção

O estudo aponta que a violência não se restricta a um único foco. Tensões entre Índia e Paquistão, disputas entre Afeganistão e Paquistão, fronteiras no Camboja e na Tailândia, além da guerra na Ucrânia, compõem o quadro de confrontos ativos. Israel também aparece em múltiplos cenários na região.

A análise utiliza dados do UCDP e classifica conflitos com participação estatal, com atores não estatais e violência contra civis. O recorte enfatiza ainda episódios ligados a uma escalada no Oriente Médio envolvendo Israel, Irã e grupos aliados, com impactos regionais persistentes.

O papel dos Estados Unidos

O relatório identifica mudanças estruturais no sistema internacional, entre elas o enfraquecimento de mecanismos multilaterais e a maior polarização entre potências. Segundo Rustad, os EUA têm participação relevante nesse processo, tanto por atuação direta quanto por políticas econômicas que tensionam o cenário global.

Ela aponta que medidas protecionistas e barreiras comerciais contribuíram para o enfraquecimento da cooperação internacional e para um ambiente diplomático menos eficiente. O Conselho de Segurança da ONU é citado como instrumento menos capaz de gerar soluções rápidas.

Distribuição regional e impactos

A África permanece como a região com o maior número de conflitos envolvendo Estados, com 29 casos registrados. Em seguida, aparecem a Ásia, o Oriente Médio, as Américas e, por fim, a Europa. O estudo reforça a necessidade de respostas coordenadas para reduzir danos civis e retomar a cooperação internacional.

Além dos conflitos de maior visibilidade, o relatório chama atenção para crises negligenciadas. Conflitos com grupos criminosos no Haiti e violência pós-eleitoral na Tanzânia são citados como exemplos de crises de alto impacto local, com cobertura internacional menor.

Considerações finais do estudo

O trabalho evidencia um período de instabilidade prolongada, marcado pela sobreposição de crises e pela dificuldade de construção de soluções diplomáticas eficazes. A pesquisadora ressalta que os números evidenciam uma tendência preocupante de aumentos persistentes na violência mundial.

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