- O Eurasia Group aponta que guerra no Oriente Médio, desvalorização do real e El Niño podem elevar inflação e custo de vida no Brasil, afetando a recuperação da aprovação de Lula.
- Christopher Garman afirma que tensões entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz podem gerar choque inflacionário global.
- A desvalorização do dólar no Brasil, de cerca de R$ 4,90 para R$ 5,20, é associada à maior inflação nos EUA e ao agravamento do conflito regional.
- El Niño pode aumentar preços no Brasil, dificultando a percepção sobre o governo e impactando a trajetória de apoio a Lula.
- Há pessimismo na população: 40% preferem um candidato que não Lula nem Bolsonaro, e a chance de um terceiro candidato ir ao segundo turno é considerada possível.
O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, a desvalorização do real e o fenômeno El Niño, pode impactar a trajetória de aprovação do presidente Lula, aponta Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, em entrevista ao WW. O alerta é sobre riscos de inflação e custo de vida no Brasil.
Para Garman, pressões externas que fogem ao controle do governo podem pressionar a inflação brasileira, afetando o bolso do consumidor e a avaliação da gestão atual. Ele cita possíveis impactos globais de choques inflacionários e de fome de commodities no Brasil.
Guerra no Oriente Médio e impactos econômicos
As tensões entre Estados Unidos e Irã ampliam a possibilidade de interrupção no Estreito de Ormuz, com consequências para a economia global e para o agronegócio brasileiro. Segundo o analista, o cenário pode provocar choque inflacionário global de maior magnitude.
Câmbio, El Niño e pressão sobre preços
A desvalorização do real, que passou de cerca de R$ 4,90 para R$ 5,20 por dólar, é atribuída a uma maior pressão inflacionária nos EUA que reduz a expectativa de cortes de juros, aliada ao conflito no Oriente Médio em evolução. El Niño também pode aumentar a pressão sobre preços no Brasil.
Para Garman, esses fatores elevam o custo de vida e o preço de alimentos, o que complica a trajetória de recuperação da aprovação de Lula. Ele enfatiza que não é possível prever com exatidão o desfecho dessa curva.
Pessimismo e cenário político
O analista aponta um alto nível de pessimismo entre a população. Pesquisas indicam que 40% dos entrevistados preferem um candidato fora de Lula e Bolsonaro, sugerindo percepção de que o país caminha na direção errada. Ainda assim, a variedade de candidatos não eleitos impede leitura definitiva sobre intenções de voto.
Ele sustenta que o eventual surgimento de um terceiro candidato no segundo turno não pode ser descartado, dado o grau de desencanto observado entre eleitores. A campanha econômica e social deve influenciar esse cenário nos próximos meses.
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