- Hong Kong apresentou acusações de homicídio culposo contra sete pessoas e duas empresas ligadas à renovação de Wang Fuk Court, após o incêndio em prédios residenciais que matou 168 pessoas.
- Os réus incluem diretores da empreiteira e da empresa de consultoria, além de um inspetor; também são acusados de fraude, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.
- Em audiência, foi informado que quase todos os dispositivos de proteção contra incêndio falharam por erros humanos, e os alarmes de sete dos oito blocos foram desativados, encurtando o tempo de evacuação.
- A corte leu a relação de 168 vítimas, e os casos foram adiados para setembro; a polícia informou a prisão de 35 pessoas, com a ICAC investigando possíveis conluios com relatos falsos.
- A investigação aponta nets de proteção de segurança inadequadas, cintos de retenção, janelas cobertas por placas de espuma e, possivelmente, um cigarro incendiário como fatores que contribuíram para a propagação do fogo, que deixou milhares desabrigados.
Na Hong Kong, autoridades apresentaram acusações de homicídio culposo contra sete indivíduos e duas empresas ligadas à renovação do Wang Fuk Court, após o incêndio em habitação pública que vitimou 168 pessoas em novembro do ano passado. O episódio ocorreu em um conjunto de oito blocos de apartamentos e mobilizou uma investigação de meses.
As acusações apontam para possível falha grave na conduta de diretores da empresa de construção e da consultoria envolvidas na obra, além de um inspetor. Junto deles, as empresas respondem pela desfaçação de responsabilidades. Foram registrados também sete indiciados por fraude, lavagem de dinheiro e evasão fiscal.
Os acusados compareceram ao tribunal na quarta-feira, informando ao juiz que entenderam as acusações. Também foi lida a relação com os nomes dos 168 mortos, pela primeira vez tornada pública durante audiência. Os processos foram adiados para setembro deste ano.
Investigações e contexto técnico
Um representante da polícia informou que 35 pessoas já foram presas, em cooperação com o ICAC, o órgão anticorrupção local. O ICAC destacou que alguns réus teriam conspirado para fraudar autoridades com relatórios falsos sobre os projetos do conjunto.
A polícia acrescentou que a construtora e a empresa de consultoria teriam violado o dever de cuidado, contribuindo para uma negligência grave no empreendimento. Durante a apuração, a perícia apontou falhas estruturais e medidas de proteção inadequadas.
Relatórios apontaram que redes de proteção de construção com defeito, restos de cigarros e falhas nos sistemas de alarme contribuíram para a propagação rápida do fogo. Em alguns locais, redes retardantes de fogo não foram usadas e vidros foram substituídos por placas de espuma.
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