- O governo bielorrusso expulsou padres católicos poloneses ao negar renovação de suas autorizações de residência: dois padres em Pinsk, em março; três em Vitebsk, em maio; e cinco padres mais um monge na Arquidiocese de Minsk-Mohilev, no fim de maio.
- Hoje, clérigos estrangeiros precisam da aprovação do Plenipotenciário para Assuntos Religiosos e Étnicos; autorizações costumam durar de três a seis meses e exigem paróquias registradas, além de proficiência em belarusso ou russo.
- O Estado monitora sermões, sites e redes sociais; autoridades podem negar ou renovar sem explicação; exemplo citado é o padre polonês Józef Geza, que deixou a Bielorrússia em 2022 após 25 anos.
- O arcebispo metropolitano Iosif Staneuski afirmou que o número de padres está caindo e que alguns precisam atender várias paróquias; ressaltou a necessidade de vocações locais para preencher vagas.
- A relação entre o Estado e a Igreja Católica se deteriorou desde 2020, agravada pela invasão da Ucrânia em 2022 e pelo alinhamento do governo com o Kremlin, gerando críticas de direitos humanos e tensão religiosa.
Nos últimos meses, autoridades da Bielorrússia expulsaram padres estrangeiros, ao negar renovação de autorizações de residência. A medida atingiu principalmente clerigos poloneses que serviam há anos em paróquias do país.
No início de março, dois padres da Diocese de Pinsk tiveram as autorizações revogadas. Em maio, três padres da Diocese de Vitebsk perderam as licenças, seguidos por cinco padres e um monge da Arquidiocese de Minsk-Mohilev no final do mês.
Todos os profissionais expulsos eram cidadãos poloneses, muitos em cargos de liderança paroquial ou decanato na Arquidiocese de Minsk-Mohilev, que abrange a capital Minsk. A soma desses casos evidencia um padrão de ações contra o clero estrangeiro.
Pressão sobre a Igreja Católica
O governo bielorrusso tem intensificado a pressão sobre a Igreja Católica, cuja relação com a Polônia é histórica. Belarus mantém um dos regimes mais restritivos para clérigos estrangeiros na região.
Os padres estrangeiros precisam da aprovação do Plenipotenciário para Assuntos Religiosos e Étnicos, órgão estatal em Minsk chefiado por Aleksandr Rumak. Entidades de direitos humanos criticam Rumak por negar autorizações sem justificativa.
As autorizações costumam valer entre três e seis meses, algumas chegam a um ano, e o processo não pode ser iniciado pelas paróquias isoladamente. Pedidos devem passar por órgãos religiosos nacionais registrados, com tramitação lenta.
Clero estrangeiro precisa comprovar proficiência em bielorrusso ou russo e não pode realizar atividades fora da paróquia registrada da paróquia convidante. Mudar de paróquia exige nova autorização do governo.
Monitoramento estatal e exemplos
O Estado monitora sermões, sites e redes sociais de padres estrangeiros. Em Minsk, há a possibilidade de negação ou revogação de autorizações sem explicação oficial.
O padre polonês Józef Geza ilustra esse quadro: em 2022, deixou a Bielorrússia após 25 anos de ministério, com a renovação de sua autorização não sendo concedida sem divulgação de razões.
O arcebispo metropolitano de Minsk-Mohilev, Iosif Staneuski, disse à Vatican News em 28 de maio que o número de padres na Bielorrússia vem caindo, especialmente nas regiões orientais. Ele mencionou deslocamentos entre paróquias para suprir necessidades pastorais.
Apesar das dificuldades, Staneuski afirmou que a igreja continua aberta a padres de qualquer nacionalidade, destacando que vocações locais são uma solução sustentável para a redução de clérigos no país.
Contexto histórico
As relações entre Estado e Igreja Católica pioraram após a reeleição de Alexander Lukashenko, em 2020, que desencadeou protestos maciços. Igrejas passaram a abrigar manifestantes, enquanto clérigos denunciavam abusos de autoridades.
Desde então, dezenas de padres enfrentaram ameaças, deportação ou prisão sob acusações de espionagem ou traição, segundo organizações de direitos humanos. A Igreja e especialistas afirmam que tais acusações muitas vezes não são fundamentadas.
A ruptura se intensificou após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, com a Bielorrússia facilitando o uso de seu território. A Igreja manifestou postura pela paz, alinhando-se ao Vaticano e divergindo de medidas de Minsk.
Entre críticos da política de Lukashenko aparecem figuras católicas proeminentes, como Ales Bialiatski, Nobel da Paz, que recebeu o Papa Leão XIV em audiência no Vaticano em 27 de maio para discutir violações de direitos humanos.
Em meio a tensões, a Igreja Católica na Bielorrússia tem sido alvo de acusações sobre vínculos transfronteiriços, sobretudo por laços com a Polônia. Essas questões influenciam a visão do governo sobre o papel da Igreja no país.
Este panorama mostra uma pressão contínua sobre o clero estrangeiro e sobre a capacidade pastoral das paróquias, com impacto direto sobre comunidades católicas e sobre o trabalho pastoral em áreas isoladas.
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