- Em 2025, o total de refugiados e deslocados internos caiu 4% em relação a 2024, chegando a 117,8 milhões.
- A queda ocorreu principalmente pelo aumento de 50% nos retornos a países de origem, totalizando 14,7 milhões.
- Na Síria, 1,3 milhão de sírios retornaram do exterior e 2 milhões de deslocados internos voltaram aos seus locais de origem; a situação no país continua volátil.
- A Venezuela registra mais retornos; o Brasil abriga 699 mil venezuelanos, com Colômbia, Peru, Chile e Equador entre os principais destinos.
- No conjunto de 2025, quase 5,4 milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus países; as Américas concentram 22,8 milhões de deslocados, e a Ucrânia tem 5,2 milhões de refugiados no fim de 2025.
A população mundial de refugiados e deslocados internos caiu pela primeira vez em dez anos, em 2025, segundo o Acnur. O total ficou em 117,8 milhões, queda de 4% frente a 2024. A dupla redução não é necessariamente boa notícia.
A queda acontece porque houve um salto de 50% no retorno de pessoas a seus países. Ao todo, 14,7 milhões retornaram a regiões de maior insegurança, com serviços precários e infraestrutura danificada ainda presente. O movimento representa o segundo maior volume em seis décadas.
Contexto e fatores-chave
A maior parcela de retornos ocorreu em Afeganistão, RDC, Sudão e Síria, a maioria em condições adversas. O fluxo de pessoas retornando foi acompanhado por mudanças políticas e de segurança que favoreceram a volta a áreas de risco.
No Afeganistão, 1,38 milhão de refugiados que viviam no Irã retornaram, impulsionados por acoes militares na região. Já no Paquistão, 559 mil retornaram ao Afeganistão por alterações nas políticas migratórias. Essas oscilações elevam a taxa de retornos involuntários.
Síria, Sudão e Venezuela
Na Síria, o fim de grandes fluxos migratórios mudou o quadro: 1,3 milhão de sírios retornaram no ano, com 2 milhões de deslocados internos voltando a seus lugares de origem. A situação permanece volátil, com episódios de violência.
No Sudão, o conflito continua, mas 651,5 mil refugiados e 2,9 milhões de deslocados internos retornaram a áreas de menor confronto. A assistência humanitária segue essencial para manter a proteção da população.
A Venezuela mostrou alta de retornos, após sinais de melhoria econômica. Mais de 1,2 milhão de venezuelanos retornaram desde 2018; o Brasil abriga hoje 699 mil venezuelanos, com a Colômbia recebendo a maior parte dos refugiados, seguida por Peru e Chile.
Panorama global
O total de refugiados em 2025 foi de 35,6 milhões, queda de 3,5%. Já os deslocados internos somaram 68,6 milhões, queda de 7%. Os 8 países com maior contingente de refugiados abrigavam, juntos, boa parte desse grupo.
O Ucrânia teve aumento de 2% no estoque de refugiados, chegando a 5,2 milhões no fim de 2025, com a maioria na Europa, destacando Alemanha, Polônia e República Tcheca. Ao todo, quase 5,4 milhões de pessoas foram forçadas a buscar segurança no exterior em 2025.
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