- Xi Jinping encerrou a visita de dois dias à Coreia do Norte, a primeira de um líder chinês em mais de sete anos, e a primeira viagem internacional de 2026.
- Xi e Kim Jong-un participaram de cerimônias, plantaram uma árvore e realizaram um almoço na Casa de Hóspedes de Estado de Kumsusan, após o que afirmou haver consenso crítico para levar os laços a um novo patamar.
- A declaração conjunta não mencionou desarmamento nuclear; o foco foi fortalecer a coordenação estratégica para soberania, segurança e desenvolvimento regionais.
- Pyongyang chega ao encontro com mais poder de barganha, tendo enviado tropas e munição para a guerra na Ucrânia em troca de petróleo, tecnologia e garantias, com um tratado de defesa mútua com a Rússia.
- A China continua como principal sustentáculo econômico da Coreia do Norte, mas a relação ganha viabilidade com Moscou, diminuindo a dependência de Pequim e buscando evitar uma escalada nuclear que envolva EUA, Japão e Coreia do Sul.
Xi Jinping encerrou nesta terça-feira uma visita de dois dias à Coreia do Norte, a primeira de um líder chinês ao país em mais de sete anos. A viagem acontece em um momento em que Pyongyang fortalece laços com Moscou e amplia seu programa nuclear, enquanto Pequim busca manter influência na região.
A agenda foi marcada por atos cuidadosamente coreografados. Xi e Kim Jong-un plantaram uma árvore na área da nova escola de quadros do Partido dos Trabalhadores e depositaram flores na Torre da Amizade China-Coreia do Norte, momentos transmitidos pela imprensa estatal.
Em seguida, durante um almoço no recinto da Casa de Hóspedes de Estado de Kumsusan, Xi afirmou ter chegado a um consenso estratégico com Kim para levar os laços a um novo patamar, segundo a emissora estatal chinesa. A declaração refletiu um tom de aprofundamento nas relações bilaterais.
Consolidação de laços sem desarmamento
A nota conjunta entre China e Coreia do Norte enfatizou o fortalecimento da coordenação estratégica, sem mencionar o desarmamento nuclear na península. A lacuna no tema nuclear sugere uma leitura de maior autonomia de Pyongyang para negociações futuras.
Pouco antes da visita, Pyongyang parece chegar ao encontro com maior poder de barganha. Relatórios indicam que tropas e munição enviadas para a guerra na Ucrânia em troca de petróleo, tecnologia e garantias de segurança elevam a influência de Kim junto a Moscou.
Em contrapartida, a China mantém-se como principal sustentáculo econômico de Pyongyang. As exportações chinesas para a Coreia do Norte atingiram aproximadamente US$ 2,3 bilhões no ano anterior, o maior montante em seis anos.
Implicações geopolíticas
A visita de Xi à Coreia do Norte expõe uma redução da influência chinesa sobre Pyongyang, que agora conta com a proteção de Moscou no Conselho de Segurança e apoio militar russo. Isso ocorre enquanto Pequim tenta evitar que a escalada nuclear aproxime Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul da fronteira chinesa.
Os analistas destacam que o novo equilíbrio de poder pode ampliar a atuação de Pyongyang em termos de tecnologia, petróleo e alianças estratégicas, reduzindo a dependência direta de Pequim. Em paralelo, a China busca manter a Coreia do Norte alinhada a seus interesses regionais.
Contexto regional e econômico
Mesmo com a nova configuração, a China continua sendo o principal parceiro econômico de Pyongyang. O dinamismo comercial permanece relevante para o regime, que depende de importações chinesas para sustentar seu aparato estatal.
O encontro entre Xi e Kim não traçou um caminho explícito para desnuclearização, mas sinaliza uma coordenação mais estreita entre as duas nações. A leitura é de que Pequim pretende evitar que a crise nuclear aumente a pressão política na região e contamine as relações sino-coreanas.
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