- Negociadores em Bonn avançam temas ligados à adaptação às mudanças climáticas, com foco no Programa de Trabalho de Nairóbi e nas Comunicações de Adaptação, alinhados ao Objetivo Global de Adaptação do Acordo de Paris.
- A definição dos indicadores do Objetivo Global de Adaptação foi remarcada para quinta-feira, a pedido do grupo G77, que reúne mais de cento e trinta países em desenvolvimento.
- Em Bonn nasceram dois fóruns: Diálogos dos Emirados Árabes Unidos para destravar a implementação do Balanço Global e Diálogos Veredas para alinhar fluxos financeiros públicos e privados às metas climáticas.
- Em paralelo, há a meta de elevar recursos para países em desenvolvimento a pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, conforme o roteiro entre presidências de COP29 e COP30, com foco em financiar ações nacionais.
- Ativistas e governos defenderam que plástico e clima são crises conectadas, pleiteando tratamento conjunto e redução da produção de plástico como medida climática, com apoio de Greenpeace, GAYO e da União Europeia.
A semana de negociações climáticas em Bonn avança conectando temas que costumam ficar separados. Nesta quarta-feira, a adaptação aos impactos da crise climática ganhou lugar na agenda, com avanços táticos ainda pendentes. A abertura ocorreu na segunda-feira, seguida pela apresentação da meta de eletrificação pela presidência da COP31.
Na terça, o foco voltou-se para a adaptação, iniciando-se a tratativas de dois pontos centrais: o Programa de Trabalho de Nairóbi (NWP), que reúne conhecimento técnico para orientar decisões, e as Comunicações de Adaptação, instrumentos pelos quais os governos relatam prioridades e necessidades. O alinhamento com o Objetivo Global de Adaptação (GGA) foi enfatizado por delegações.
Indicadores e finanças em discussão
A definição dos indicadores do GGA foi remarcada para esta quinta, a pedido do G77, maior coalizão de países em desenvolvimento. O grupo reúne hoje mais de 130 nações e costuma fechar posições conjuntas sobre financiamento e justiça climática, buscando tempo para alinhamento interno.
A negociação de finanças ganhou espaço com dois fóruns herdados de Belém. Os Diálogos dos Emirados Árabes Unidos abrem sessão para destravar a implementação de resultados e a avaliação de progresso rumo às metas de Paris. Em Bonn, também ocorre a primeira edição dos Diálogos Veredas, que tratam do alinhamento de fluxos financeiros, públicos e privados, às metas climáticas.
Paralelamente, o debate envolve o Roteiro de Baku a Belém para 1,3 trilhão de dólares por ano até 2035, visando ampliar recursos para países em desenvolvimento. A ideia é transformar promessas em ações concretas, com foco na conexão entre planos nacionais e fontes de financiamento.
Plástico e clima ganham palco paralelo
Em evento paralelo promovido por grupos ambientais e pela presidência rotativa da UE, ativistas e governos defenderam tratar a produção de plástico como questão climática. A crítica aponta que quase todo o plástico deriva de petróleo e gás, e o aumento da produção agrava danos climáticos.
Representantes da GAYO, ONG ganense vencedora do Earthshot Prize, argumentam que a poluição plástica e a crise climática são faces da mesma crise. Eles defendem uma abordagem que vá além da reciclagem, atuando sobre o ciclo de vida do plástico, redução de produção e apoio a transição justa com financiamento e tecnologia para o Sul Global.
A UE e o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha destacaram que nenhum país sozinho resolve nem a poluição plástica nem as mudanças climáticas. O debate sobre o Tratado Global de Plásticos permanece relevante no âmbito das negociações, ainda que não integre a pauta formal de Bonn.
Rumo à COP31
O conjunto de discussões em Bonn reforça a percepção de que clima, finanças, adaptação e poluição estão interligados. A presidência turca herdará o tema para tentar transformar em decisões durante a COP31, programada para novembro.
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