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Desinformação sobre Ebola dificulta combate à epidemia na RD Congo

Desinformação sobre Ebola na RD Congo atrasa atendimento, provoca recusa de tratamento e ameaça profissionais de saúde, enquanto entidades atuam para reconstruir a confiança comunitária

Trabalhadores da Cruz Vermelha carregam corpo de homem vítima do ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo
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  • A desinformação sobre a Ebola na República Democrática do Congo atrasa atendimento, dificulta diagnósticos e coloca profissionais de saúde em risco, com vídeos que negam a doença ganhando alcance nas redes.
  • A epidemia já provocou 115 mortes, e notícias falsas vão desde negar a existência da doença até alegar que autoridades a fabricam para lucrar.
  • A epidemia gera desconfiança: muitos recusam tratamento, o rastreio de contatos fica comprometido e profissionais de saúde relatam receio de ir às casas.
  • Em Ituri, epicentro do surto, quase 1 em cada 3 pessoas acredita que a Ebola é uma invenção, segundo a ONG ActionAid; houve agressões a funcionários e tentativas de recobrar corpos em hospital, com festas de segurança violadas.
  • Autoridades e especialistas dizem que a solução passa por reconstruir a confiança com as comunidades, capacitar embaixadores locais e envolver líderes comunitários, sobreviventes e curandeiros tradicionais para ampliar a resposta de saúde pública.

A desinformação voltou a atrapalhar os esforços para conter o eto da Ebola no leste da República Democrática do Congo, especialmente na província de Ituri, epicentro do surto atual. Pacientes recusam tratamento, diagnósticos atrasam e profissionais de saúde sofrem agressões.

Dados oficiais apontam que a epidemia já provocou 115 mortes no país, enquanto o número de casos segue sob monitoramento. Entre as histórias de desinformação, circula a ideia de que não existe Ebola no território e que a doença seria restrita a redes sociais e à imprensa internacional.

A disseminação de fake news se soma a situações de risco direto: há relatos de atrasos no atendimento médico, resistência ao rastreamento de contatos e receio de visitas de equipes de saúde a domicílios, o que prejudica a contenção.

As agressões a trabalhadores humanitários e a funcionários do governo também foram registradas. Em Ituri, duas tendas de uma ONG ficaram incendiadas após a tentativa de familiares de uma vítima de acessar o corpo, violando protocolos de segurança.

Em Bunia, no fim de maio, parentes de outra vítima chegaram a quase agredir trabalhadores durante um enterro conduzido conforme normas sanitárias. Esse tipo de episódio demonstra o impacto direto da desinformação na prática de saúde pública.

Especialistas apontam que o problema não é novo, mas se agravou com o aumento do uso de redes sociais. A crise de confiança na região aparece como fator complementar às falsas informações.

Para enfrentar o quadro, organizações como ActionAid defendem reconstruir a confiança entre autoridades, comunidades e equipes de resposta. A estratégia passa por capacitar embaixadores locais para repassar informações em idiomas regionais.

Profissionais ouvidos pela AFP ressaltam que líderes comunitários, sobreviventes e até curandeiros tradicionais, com grande credibilidade local, podem atuar como aliados importantes na divulgação de orientações de saúde pública.

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