- Observatório Francês das Drogas alerta para cocaína mais pura no mercado e para 40 novos produtos de síntese identificados entre 2024 e 2025, sendo 26 em 2025.
- Dados do Sistema Nacional de Identificação de Tóxicos e Substâncias (SINTES) apontam aumento das coletas, de 742 em 2024 para 1.086 em 2025 (crescimento de 31%).
- A cocaína disponível tem níveis de pureza cada vez maiores, com menos adulterantes e maior potência.
- A maior pureza indica fornecimento mais eficiente e pode elevar riscos à saúde pública, incluindo overdose e complicações cardíacas.
- A Agência Europeia sobre Drogas (EUDA) destaca diversidade de substâncias e aumenta a pressão por investimento em prevenção, tratamento e reinserção social.
O Observatório Francês das Drogas e das Tendências Aditivas (OFDT) identificou no seu relatório semestral do SINTES a circulação de cocaína com níveis de pureza mais elevados na França. A divulgação ocorre junto ao levantamento, publicado nesta quinta-feira, 11, e aponta ainda a emergência de 40 novos produtos de síntese, dos quais 26 surgiram em 2025.
Segundo o documento, o número de coletas aumentou 31% entre 2024 e 2025, passando de 742 para 1.086. Em 2023, foram registradas 732 coletas. O OFDT também aponta diversificação crescente das substâncias em circulação no território, ampliando o conjunto de drogas monitoradas.
A cocaína disponível hoje no mercado francês apresenta maior pureza, com menos adulteração nos itens analisados. A evolução sugere cadeias de fornecimento mais eficientes, possivelmente associadas ao fortalecimento de redes de tráfico internacional. Esse quadro eleva os riscos à saúde pública e pode alterar hábitos de consumo.
O aumento da pureza aumenta o risco de overdoses e de eventos cardiovasculares, especialmente entre usuários que não ajustam as doses. A presença de uma substância ativa mais concentrada eleva a toxicidade potencial, exigindo ajustes em políticas públicas de prevenção e tratamento.
A influência do contexto de pureza também pode alterar o comportamento dos consumidores, com maior interesse por itens considerados de maior “qualidade”. O relatório recomenda medidas públicas adaptadas a esse cenário, para reduzir danos e ampliar vigilância.
Alerta europeu
A Agência Europeia da Drogas (EUDA), em relatório divulgado nesta terça-feira, destaca riscos da disponibilidade de substâncias psicoativas cada vez mais diversas. O documento aponta mudanças nas rotas de tráfico e o custo humano do uso de drogas, com pelo menos 7.600 mortes por overdose em 29 países, incluindo os 27 da União Europeia.
A EUDA ressalta que mercados evoluem rapidamente e que a diversidade de substâncias é cada vez mais imprevisível. A agência enfatiza o uso conjunto de várias drogas como prática comum, aumentando os riscos para os usuários. Investimentos em prevenção, tratamento e reinserção social são apontados como essenciais.
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