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Papa diz que a história condenará líderes que ignoram mortes de migrantes

Papa pede caminhos legais e seguros para imigração; diz que a história punirá quem ignora mortes de migrantes nas Ilhas Canárias

Papa Leão XIV na Praça de São Pedro em 6 de maio de 2026
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  • O Papa Leão XIV pediu que líderes tratem migrantes com mais humanidade, afirmando que a história condenará quem permitir sofrimento sem resposta.
  • Em Angra Canárias, Espanha, ele destacou que a dignidade humana não tem passaporte e não perde valor ao cruzar fronteiras.
  • O pontífice pediu vias legais e seguras para imigração, cooperação internacional no combate ao tráfico e financiamento para resgate no mar.
  • Ilhas Canárias receberam quarenta e seis mil oitocentos e quarenta e três migrantes irregulares em dois mil e vinte e quatro; mais de três mil morreram em dois mil e vinte e cinco tentando chegar às ilhas.
  • Em Porto de Arguineguin, ouvindo ONGs e relato de um capitão de resgate, o Papa afirmou que não basta gerenciar chegadas, é preciso agir para proteger a vida e evitar a indiferença.

O papa Leão XIV pediu nesta quinta-feira às lideranças globais que tratem os migrantes com mais humanidade. Durante visita às Ilhas Canárias, na Espanha, ele afirmou que a história condenará quem permitir que pessoas em fuga de guerras ou pobreza sofra.

Em um chamado à consciência, o pontífice ressaltou que a dignidade humana não tem passaporte e não perde valor ao cruzar fronteiras. Ele falou ao público reunido no Porto de Arguineguin, conhecido como Cais da Vergonha por condições precárias.

O líder religioso afirmou que não se pode contar mortos como se fossem números. Ele enfatizou que a história dirá se a vida foi protegida ou se houve indiferença diante do sofrimento.

Dignidade e relatos de campo

Em reunião com ONGs, voluntários e um capitão de resgate, relatos de dificuldades e salvamentos foram apresentados. Um capitão disse ter ajudado cerca de 20 mil migrantes em 18 anos.

Também houve depoimento de uma migrante nigeriana que relatou tráfico humano e abuso sexual durante a busca por oportunidade na Europa. O papa destacou que ela é uma bênção e merece felicidade.

O pontífice pediu que não se trate migrantes como números, lembrando que deixaram famílias para trás. Ele reforçou que os migrantes têm sonhos que não podem ser negligenciados.

Caminhos legais e contexto

As Ilhas Canárias receberam 46.843 migrantes irregulares em 2024, segundo dados oficiais, número recorde para a região. Em 2025, mais de três mil pessoas morreram tentando chegar às ilhas.

O Papa afirmou ao Parlamento espanhol que a falta de ajuda global desafia os fundamentos éticos da ordem internacional. Ele pediu vias legais e seguras para imigração e cooperação no combate ao tráfico.

Ele também pediu financiamento para operações de resgate de migrantes em perigo no mar. A ideia é ampliar ações para reduzir a pobreza, guerras e corrupção que empurram pessoas a fugir.

Contexto na Espanha e próximos passos

A visita faz parte de uma viagem de uma semana pela Espanha, com encontro previsto com cerca de mil migrantes na sexta-feira. As Ilhas Canárias, a mais de mil quilômetros da Espanha continental, são um ponto central do itinerário.

Segundo autoridades locais, a Espanha adota postura relativamente aberta em relação a migrantes, com programas de regularização. Críticas surgem, porém, sobre lentidão na concessão de status a quem vive em situação irregular.

O porta-voz dos migrantes nas Ilhas Canárias destacou o significado da visita. Ele disse que o gesto do papa reforça a defesa dos direitos humanos e da dignidade para todos, independentemente da origem.

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