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Papa Leão XIV transforma doca da vergonha em símbolo de esperança

Papa Leão XIV transforma a “doca da vergonha” de Arguineguín em símbolo de esperança, cobrando rotas legais, resgate e cooperação contra traficantes

Papa Leão XIV em Las Palmas, nas Ilhas Canárias (Foto: EFE/ Angel Medina G)
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  • O Papa Leão XIV visitou o porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, e transformou a antiga “doca da vergonha” em símbolo de esperança, ao pedir exame de consciência sobre a migração.
  • Ele defendeu rotas legais e seguras, resgate e assistência, cooperação contra traficantes, proteção às vítimas e políticas de acolhimento e integração, destacando o direito de buscar refúgio e o direito de permanecer em casa.
  • O pontífice afirmou que a dignidade humana não tem passaporte e pediu que a Europa não se acostume com um Mediterrâneo e Atlântico como cemitérios sem lápides.
  • Testemunhos durante a passagem incluíram relatos de resgates e casos de migrantes, como a mãe que ajudou a proteger a filha após atravessar o mar; Blessing, sobrevivente de tráfico, também relatou abusos e ajuda da Igreja.
  • A visita terminou com uma oferenda floral pelas vítimas da migração, seguida de bênção a uma cruz memorial; o Papa enfatizou que a história não deve acusar a humanidade, mas estimular compromisso e cooperação internacional.

O Papa Leão XIV visitou o porto de Arguineguín, nas Ilhas Canárias, onde pediu um exame de consciência sobre a crise migratória. O local ficou conhecido como doca da vergonha após o congestionamento de mais de 2.600 pessoas em 2020, muitas dormindo ao ar livre. Nesta quinta, o pontífice transformou o espaço em símbolo de esperança.

Durante a passagem pelo porto, o Papa destacou a dignidade humana como base de políticas migratórias. Definiu como essenciais rotas legais, resgate, assistência e cooperação real contra traficantes, além de proteção para as vítimas e acolhimento digno em casa, sem fome ou violência.

Leão XIV também reforçou o direito de buscar refúgio quando necessário, mas afirmou ainda o direito de permanecer na própria terra quando possível. Ressaltou que a dignidade humana não depende de fronteiras ou passaportes.

Arguineguín marca o encerramento da visita do Papa à Espanha e simboliza a dor migratória na Europa. O encontro ocorreu em meio a uma queda nas chegadas irregulares por mar neste ano, conforme dados espanhóis, e a continuidade de operações de resgate em condições desafiadoras.

Contexto e números recentes

O Ministério do Interior da Espanha registra queda de aproximadamente 35% nas chegadas de janeiro a maio, em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar disso, Ceuta e Melilla registraram aumento de entradas terrestres irregulares, especialmente entre migrantes africanos.

Testemunhos de resgate e assistência foram ouvidos na cerimônia. Profissionais da Caritas e voluntários relataram que gestos simples, como um abraço ou um olhar de apoio, podem comunicar esperança diante da crise. Sobreviventes de tráfico contaram relatos de violência e exploração durante a travessia.

Testemunhos e apelos

Entre as mensagens, o Papa convidou organizações e governos a não acomodarem a indiferença diante do sofrimento. Pediu que comunidades religiosas acolham migrantes de forma contínua, não apenas de forma pontual. Também alertou contra promessas enganosas de paraísos fáceis oferecidos por traficantes.

A instituição religiosa foi lembrada como protagonista do acolhimento, com a missão de acompanhar migrantes com presença constante. O pontífice citou exemplos de resgate, proteção e assistência, enfatizando a necessidade de ações reais em prol das vítimas.

Memorial e continuidade

O encerramento ocorreu com uma cerimônia de homenagem às vítimas da travessia, seguida da bênção de uma cruz erguida em memória aos que não chegaram ao destino. O Papa destacou a importância de não silenciar diante do êxodo e de manter o compromisso com quem partiu em busca de uma vida melhor.

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