- Rafael Grossi afirma que a ONU corre o risco real de se tornar irrelevante e precisa reduzir a burocracia e adotar uma atuação mais incisiva.
- O candidato argentino defende foco em paz e segurança, propondo diálogo com beligerantes, como ocorreu no cessar-fogo na região da usina de Zaporiája.
- Ele destaca que a AIEA é exemplo de eficácia multilateral, citando resultados na Ucrânia e a necessidade de reforma para o órgão voltar ao realismo.
- Sobre o Irã, Grossi reconhece avanços antes da guerra, mas aponta que a situação depende de acordo entre Teerã e Washington e da verificação do urânio enriquecido.
- Nesta sexta, o conselho executivo da AIEA aprovou resolução dos EUA para reiniciar inspeções e verificar o destino de 441 kg de urânio enriquecido a 60%.
A ONU corre o risco de perder relevância, disse Rafael Grossi, argentino e atual diretor-geral da AIEA. Ele é um dos quatro candidatos ao cargo de secretário-geral, cuja escolha pode ocorrer no próximo mês. A afirmação foi feita em entrevista exclusiva à Folha durante seminário sobre atuação da agência em Viena.
Grossi defende uma organização multilateral mais pró-ativa e menos burocrática. Em temas de paz e segurança, citou o exemplo da mediação no cessar-fogo envolvendo Rússia e Ucrânia na região da usina de Zaporíjia. Também destacou a necessidade de reformas para conter disputas internas.
O diretor-geral afirma que a ONU perdeu o foco e está sob risco de se tornar irrelevante sem mudanças. Em relação à AIEA, ressaltou que o trabalho já feito na área de verificação nuclear pode abrir caminho para acordos entre Irã e Estados Unidos, caso haja avanço diplomático.
Candidatura e contexto
Na quinta-feira, o conselho executivo da AIEA aprovou resolução apoiada pelos EUA para intensificar inspeções e verificar o destino de 441 kg de urânio enriquecido a 60%, potencialmente usado para explosivos de baixo rendimento. O Irã acusou Grossi de agir em favor dos EUA; o chefe da agência nega.
Grossi concorre com Michelle Bachelet, Rebeca Grynspan e Macky Sall. Foi indicado pela Argentina de Milei, mas ele rejeita tratar a nomeação como decisão política. Diz que a função não é de um julgador, e sim de solução de problemas com instrumentos diplomáticos adequados.
O argentino mantém o foco na atuação da AIEA e no seu potencial de transferir o estilo para a ONU, caso seja eleito. A disputa ocorre em um momento de tensões globais, com prioridades distintas entre as grandes potências.
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