- Os EUA propõem tarifas adicionais de 25% por práticas anticoncorrenciais e 12,5% por trabalho forçado, totalizando até 37,5% em algumas importações do Brasil; ainda não estão em vigor.
- Há consulta pública até 6 de julho, audiência em 7 de julho e decisão de Donald Trump até 15 de julho; as tarifas podem entrar em vigor de forma imediata.
- O Brasil pode contestar as tarifas na OMC e tentar reduzir o alcance ou ampliar isenções; o governo brasileiro já apresentou respostas defendendo o Pix, combate ao desmatamento e anticorrupção.
- Entre as isenções estão itens considerados estratégicos para a economia norte-americana (por exemplo, café, carne bovina, suco de laranja, petróleos e derivados, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças aeronáuticas).
- O histórico mostra que, em 2025, houve um tarifaço amplo com tarifa global de 10% e sobretaxas específicas; mudanças recentes continuam a movimentar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O governo dos Estados Unidos avalia duas propostas de tarifas adicionais sobre parte das importações brasileiras. As medidas seriam aplicadas por meio da Seção 301, não entraram em vigor. O valor total potencial chega a 37,5% quando somadas as duas taxas.
Uma das propostas prevê 25% por práticas desleais de comércio, originada de uma investigação iniciada em julho de 2025. A outra prevê 12,5% por falha no combate ao trabalho forçado na cadeia produtiva. As propostas foram anunciadas pelo USTR em junho de 2026.
O governo norte-americano abriu consulta pública sobre o caso do Brasil, com manifestações até 6 de julho e audiência em 7 de julho. A decisão final pode sair até 15 de julho, com possível início imediato das tarifas caso não haja acordo.
O que está em jogo e quem participa
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil e o Itamaraty acompanham as negociações. O governo brasileiro deve apresentar respostas às críticas norte-americanas, incluindo defesa do Pix e da política ambiental. O presidente Lula participa de reuniões internacionais para buscar entendimento com os EUA.
Entre os temas analisados estão comércio digital, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e fiscalização ambiental. Exceções previstas pela proposta de 25% incluem itens estratégicos para a economia norte-americana, como café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e medicamentos.
Contexto e cronologia recente
As tarifas de 2025, promovidas por Donald Trump, já haviam sido flexibilizadas parcialmente depois de decisões judiciais e negociações. A recente rodada de junho de 2026 marca uma nova etapa da disputa, com o Brasil avaliando possíveis contestações na OMC caso haja implementação.
O governo brasileiro informou que contestará as medidas, destacando que o Pix não restringe empresas estrangeiras e que o país está cumprindo metas de proteção ambiental. O Ministério das Relações Exteriores sinalizou que continuará o diálogo com o USTR para evitar medidas.
O que pode mudar e o que já está definido
Caso as tarifas entrem em vigor, a soma de 25% e 12,5% pode alcançar 37,5% para parte dos produtos. A Tarifa Global de 10%, vigente até julho de 2026, ainda não está totalmente esclarecida quanto à sua sobreposição com as novas propostas.
O governo brasileiro também pode buscar recursos na OMC caso considerem as tarifas incompatíveis com regras comerciais internacionais. O debate envolve ainda a competitividade de setores estratégicos brasileiros frente a parceiros como EUA, UE e Índia.
O que pode acontecer a seguir
O ministro do Mdic deve manter reuniões com o USTR para defender posição brasileira. O Brasil pode ampliar a lista de itens isentos ou ajustar as condições de acesso ao mercado americano. A decisão final deve sair até meados de julho de 2026, sem previsão de implementação imediata caso haja acordo.
As informações em jogo abrangem não apenas tarifas, mas também impactos sobre o comércio, investimentos e a reputação de políticas comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A imprensa acompanha os desdobramentos conforme novas decisões forem divulgadas pelo governo americano.
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