- Cinco meses após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o chavismo enfrenta uma crise interna com críticas a Delcy Rodríguez por supostamente ceder à pressão de Washington.
- No dia vinte e três de maio, os EUA realizaram um amplo exercício militar em Caracas, autorizado pelo regime interino de Delcy, com aeronaves do Corpo de Fuzileiros Navais pousando na sede da embaixada.
- Analistas dizem que a perda de unidade pode fragilizar o regime venezuelano e abrir espaço para a oposição exigir eleições livres, embora haja o risco de rebelião entre setores leais ao madurismo.
- Delcy tem promovido aproximações com os EUA, abrindo a indústria petrolífera ao capital privado, reatando laços com o FMI, promovendo uma anistia aos presos políticos e entregando Alex Saab ao governo americano.
- A divisão interna eleva o risco de reações dentro do chavismo, mas pode oferecer à oposição novas oportunidades para pressionar por mudanças, dependendo de como os setores do regime reagirem.
Cinco meses após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, o chavismo enfrenta uma crise interna. Críticas de representantes do movimento interno atingem a líder interina Delcy Rodríguez, acusada de ceder à pressão norte-americana. A turbulência ficou exposta após um exercício militar em 23 de maio, com aeronaves dos EUA pousando na embaixada em Caracas, autorizado pelo regime interino. A ação revelou fissuras dentro do chavismo.
Analistas apontam que a perda de unidade pode fragilizar a proteção do regime frente a crises e abrir espaço para a oposição exigir eleições livres. Por outro lado, aumenta o risco de rebeliões entre grupos fiéis ao madurismo, alimentando incertezas sobre o futuro político da Venezuela.
O exercício militar
No dia 23 de maio, forças americanas realizaram um amplo exercício em Caracas. Aeronaves MV-22 Osprey sobrevoaram a capital e pousaram na sede da embaixada dos EUA. A atividade foi autorizada por Delcy Rodríguez, mas provocou protestos entre a base chavista. O general Francis Donovan acompanhou as manobras.
O episódio já havia alimentado insatisfação contra Delcy, que se intensificou após a queda de Maduro. Militantes e líderes chavistas passaram a criticar publicamente a liderança interina, com alguns insinuando traição interna na captura de Maduro.
Aproximação de Delcy com os EUA irrita chavistas
Desde que assumiu a liderança, Delcy tem promovido mudanças, como abrir a indústria petrolífera ao capital privado, reatar laços com o FMI e promover uma anistia com alcance limitado. Em maio, entregou Alex Saab aos EUA, que responde a investigações criminais. As relações diplomáticas com os EUA foram restabelecidas.
Especialistas afirmam que as decisões de Delcy atingiram o núcleo da identidade chavista. Segundo o professor Marco Aurelio da Silva, bases radicais veem as concessões como ultrapassando o pragmatismo e configurando ruptura interna.
Andrés Izarra, ex-ministro de Chávez, disse que as divisões não se devem apenas a ideologias, mas a disputas por poder. Ele afirmou que o chavismo perdeu seu projeto após 2013, tornando-se uma luta por cargos e controle.
Janela para a oposição
Essa ruptura interna pode oferecer espaço para a oposição pressionar por mudanças. Caso setores chavistas abandonem o regime, Delcy terá de buscar apoio ou fazer concessões. A oposição tende a exigir reformas eleitorais e maior independência do Conselho Nacional Eleitoral.
María Corina Machado, líder oposicionista, classifica o regime interino como insustentável e atua como principal interlocutora nas negociações por uma transição democrática. Analistas ressaltam que pressão externa pode ser crucial para avanços concretos.
Divisão no chavismo eleva risco de rebelião
A fragmentação aumenta o risco de reações internas, inclusive entre militares que se beneficiaram do regime. Mesmo com reorganizações no alto comando, ainda há pontos de resistência que podem contestar Delcy. Pequenos motins ou golpes não são descartados.
Cientistas políticos indicam que, no curto prazo, o chavismo pode buscar rearranjos internos, trocando lideranças para conter dissidências e projetar uma imagem de moderação ao exterior. Se subsistirem tensões não resolvidas, a oposição pode ganhar espaço para pressionar por mudanças.
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