- Os EUA dizem que um acordo para encerrar a guerra com o Irã pode ser assinado nos próximos dias e poderia reabrir o estreito de Ormuz em troca do fim do embargo ao transporte iraniano.
- O acordo pode incluir a destruição ou remoção do estoque iraniano de urânio enriquecido, mas os detalhes técnicos ainda estão sendo definidos.
- Caso seja assinado, o acordo será avaliado em comparação com o JCPOA de 2015, que foi abandonado pelo ex-presidente americano durante seu primeiro mandato.
- O presidente Donald Trump tem mostrado pressa em exigir que o Irã entregue o “nuclear dust”, enquanto o Irã sustenta que a linha vermelha é o “zero enriquecimento”.
- A IAEA busca inspeções em Isfahan, Natanz e Fordo; autoridades dizem que não foi possível verificar o material desde o início do conflito.
O governo dos Estados Unidos afirma que um acordo para encerrar o conflito com o Irã deve ser assinado nos próximos dias. A expectativa é de que o acordo leve à reabertura do Estreito de Hormuz, em troca do fim do bloqueio marítimo iraniano. Os detalhes técnicos ainda estão em definição.
Segundo autoridades americanas, o texto também prevê a destruição e a remoção do estoque de urânio enriquecido do Irã. A confirmação depende de negociações em curso entre Washington e Teerã, com participação de terceiros países.
Caso seja firmado, o acordo será avaliado à luz do JCPOA, o acordo nuclear de 2015. Esse pacto foi implementado durante a gestão de Barack Obama e abandonado por Donald Trump no seu primeiro mandato.
O que envolve o urânio enriquecido
O urânio é um elemento natural que pode alimentar usinas nucleares, mas precisa passar pelo processo de enriquecimento para uso em armas. A ênfase está na redução do estoque iraniano de urânio enriquecido, principal ponto de discórdia nas negociações.
Trump tem repetidamente afirmado que Teerã deve entregar o acervo de urânio, inclusive citando o que chamou de “poeira nuclear”. Em entrevistas recentes, o presidente afirmou que, se houver acordo, a soberania sobre o material seria transferida para os EUA e depois destruída.
Teerã sustenta que a enriquecimento zero é uma linha vermelha e viola seus direitos. A posição iraniana complica a comparação com o JCPOA, que previa limites estritos para enriquecer e monitoramento intenso.
Posições técnicas e monitoramento
O acordo de 2015 previa que o Irã mantivesse apenas quantidades pequenas de urânio monitoradas, com centrifugas limitadas. O monitoramento incluía inspeções rigorosas para impedir programs nucleares não declarados.
O chefe da agência de inspeção IAEA, Rafael Grossi, disse que grande parte do urânio altamente enriquecido estaria alojada em túnelos subterrâneos na usina de Isfahan, a cerca de 440 km ao sul de Teerã. Inspeções têm estado suspensas desde o início do conflito.
Gerentes da IAEA também solicitaram visitas às instalações de Natanz e Fordo para verificação. A falta de acesso tem aumentado as incertezas sobre o que permanece sob monitoramento internacional.
Contexto político e perspectivas
Analistas avaliam que o acordo, se firmado, pode incluir ganhos econômicos para o Irã, como parte de negociações sobre alívio de sanções. Em contrapartida, os EUA buscam comprovar que obtiveram concessões que não foram possíveis sob administrações anteriores.
Especialistas apontam que o programa nuclear iraniano atual diverge do cenário de 2015, especialmente pela redução de capacidades de enriquecimento. Isso complica comparações diretas com o JCPOA.
Baronessa Ashton, ex-negociadora do JCPOA, afirma que apenas a pressão militar não garante uma solução duradoura. A leitura enfatiza que as negociações devem oferecer benefícios suficientes para participação.
O desenrolar das tratativas permanece em aberto. Autoridades envolvidas não confirmaram detalhes finais, e as relações com aliados e ajuda internacional seguem como fatores-chave para o desfecho.
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