- A ONU afirma que autoridades israelenses protegem colonos na Cisjordânia ocupada e que as forças de segurança apoiam ataques, segundo relatório da Comissão de Inquérito.
- O documento aponta aumento de 130% nos ataques contra aldeias palestinas e terras agrícolas desde 2023, incluindo atos de agressores mascarados.
- O relatório sustenta que autoridades israelenses permitiram ataques por meio de apoio financeiro e militar, em meio a impunidade promovida por órgãos judiciais e policiais; o gabinete do primeiro-ministro e as Forças Armadas não comentaram de imediato.
- Pelo menos sete palestinos foram mortos e 832 ficaram feridos no ano anterior; a violência persiste em 2026 com ataques quase diários, segundo a ONU.
- O relatório também cita violência sexual, sequestros e abusos de crianças palestinas; o ICJ, em 2024, havia considerado ilegal a ocupação e os assentamentos, e o chefe da comissão pediu pressão internacional para desmantelar assentamentos e conter a violência.
O relatório da ONU aponta que autoridades israelenses estão direta ou indiretamente envolvidas em ataques de colonos na Cisjordânia ocupada. Segundo a Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, houve apoio financeiro e militar que favoreceu esses ataques, em um cenário de impunidade facilitado por órgãos judiciários e policiais.
A investigação afirma que ataques contra aldeias palestinas e terras agrícolas cresceram 130% desde 2023, envolvendo também grupos de agressores mascarados. As forças de segurança israelenses teriam acompanhado os colonos, servindo como proteção em diferentes incidentes.
Em resposta, o gabinete do primeiro-ministro e as Forças Armadas não comentaram de imediato. Israel nega que tropas protejam colonos, sustentando que os episódios são incidentes isolados que violam o protocolo militar e são alvo de apuração.
O relatório descreve que a violência se inscreve em uma política de ocupação e deslocamento de palestinos, com acusações de uso de violência sexual para intimidar mulheres e de agressões contra crianças. Casos de sequestros envolvendo menores também foram documentados.
Ao longo de 2024 e 2025, dados da ONU indicam que pelo menos sete palestinos foram mortos e 832 feridos apenas no ano anterior, com a violência continuando em 2026 em ataques quase diários. A comissão destaca uma participação crescente de forças de segurança em agressões de colonos.
Segundo o relatório, o quadro envolve a expansão de assentamentos e postos avançados, além de prometer o desmonte de estruturas que ajudam a manter a ocupação. O documento também sustenta que há uma normalização desse aparato com o apoio institucional.
A Comissão citou um episódio de 19 de abril de 2025, em que uma menina de 12 anos e um menino de 3 foram sequestrados, arrastados para um olival e amarrados, até a intervenção de familiares. Relações de violência e medo moldam parte do cotidiano na região.
Em julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça emitiu parecer consultivo dizendo que a ocupação e os assentamentos são ilegais e devem ser suspensos o quanto antes, embora sem caráter vinculante. Essa conclusão reforçou a pressão internacional sobre o tema.
A comissão encerrou destacando que, apesar de condenações internacionais e do fechamento de alguns postos avançados não autorizados, não houve ações consistentes para impedir os ataques ou responsabilizar os autores.
Contexto jurídico e político
O relatório reforça que a violência transfere-se para o território disputado, com impactos diretos sobre a população palestina. Além disso, aponta que a comunidade internacional deve intensificar a pressão para desmantelar assentamentos e restringir a violência nos territórios ocupados.
Reação internacional e resposta local
Organizações de direitos humanos, tanto israelenses quanto palestinas, costumam afirmar que investigações raramente resultam em punição. A ONU manteve o tom de alerta sobre a escalada e reiterou a necessidade de um mecanismo de responsabilização eficaz.
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