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Marrocos investe em dessalinização para enfrentar escassez hídrica

Marrocos planeja obter sessenta por cento da água potável do oceano até 2030, com megaprojeto de dessalinização alimentado por energias renováveis

TATA - ZAGORA ROUTE, MOROCCO - 2024/04/02: Acacia tree in the hamada desert. (Photo by Raquel Maria Carbonell Pagola/LightRocket via Getty Images)
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  • Marrocos quer obter sessenta por cento de água potável do oceano até 2030, usando dessalinização e fontes de energia renovável.
  • O maior projeto fica a cerca de quarenta quilômetros ao sul de Casablanca, com quarenta e seis milhões de dólares; será a maior usina da África e, quando completo, usará energia de parque eólico de trezentos e sessenta megawatts.
  • A Fase I entra em operação em fevereiro de dois mil e vinte e sete e a Fase II em agosto de dois mil e vinte e oito, fornecendo setenta e nove bilhões de galões de água por ano para setes milhões e meio de pessoas e irrigando vinte mil acres.
  • Hoje o país opera dezessete usinas, produzindo cerca de cento e oito bilhões de galões por ano; mais onze estão em construção ou planejamento, com financiamento via parcerias público-privadas e participação do governo espanhol.
  • A dessalinização tem custo elevado e gera salmoura; a usina de Casablanca prevê diluição com tubo de descarga de dois vírgula quatro quilômetros, enquanto faltam regulamentações nacionais sobre limites ambientais.

Marrocos investe pesado em dessalinização para ampliar água potável extraída do oceano, visando 60% do consumo até 2030. O plano envolve megaprojetos e energia renovável, com foco em água para cidades costeiras e irrigação rural.

Em Casablanca, está em construção a maior usina de dessalinização da África, a 40 km ao sul da cidade. O custo total é de 650 milhões de dólares, financiado em PPP com a Acciona e parceiros marroquinos, com apoio espanhol.

A usina será alimentada por um parque eólico de 360 megawatts, no Saara Ocidental, garantindo energia inteiramente renovável. A operação da Fase I está prevista para fevereiro de 2027; a Fase II, em agosto de 2028.

No conjunto, o projeto terá capacidade de 79 bilhões de galões por ano, atendendo 7,5 milhões de pessoas e irrigando 20.000 acres. Atualmente, o país já opera 17 usinas, produzindo cerca de 108 bilhões de galões anuais.

Segundo o governo, o plano de água contempla ainda barragens, reutilização de águas residuais e uma rede de dutos que desloca água da região norte para o sul. O objetivo é reduzir dependência de chuvas.

Desafios econômicos acompanham a expansão. A água dessalinizada costuma custar mais, entre 1,5 e 4 vezes o preço de fontes tradicionais, segundo especialistas. A irrigação em larga escala exige subsidiações.

A desertificação agrícola é um cenário real. Em Souss-Massa, a usina de Chtouka Aït Baha abastece 1.500 agricultores que exportam para a Europa, com parte da produção destinada a mercados locais.

A gestão da salmoura residual é citada como preocupação ambiental. O discharge da Casablanca prevê diluição em 2,4 quilômetros, embora haja ausência de regulamentação nacional clara sobre limites.

Autoridades destacam propósito duplo: reduzir custos operacionais a longo prazo e diminuir a pegada de carbono na produção de água. Em 2024, renováveis já respondiam por pouco mais de um quarto da eletricidade do país.

Especialistas ressaltam, porém, que a dessalinização permanece cara para muitos produtores. A expectativa é de que custos caiam com avanços tecnológicos e maior uso de energia limpa.

O apoio internacional é considerado essencial. Marrakesh sediou, em 2023, um Congresso Mundial da Água, permitindo compartilhar experiências entre países africanos. Cooperação e financiamento são vistos como chave.

Países vizinhos também ampliam a dessalinização. Argélia, Egito e Senegal avançam com projetos movidos a energia renovável, sinalizando tendência regional de securidade hídrica.

A agricultura responde por grande parte do consumo de água. A irrigação, associada a tecnologia de dessalinização, pode ampliar produção em áreas áridas, desde que acessível financeiramente aos produtores locais.

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