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Migração global triplicou desde 2000, aponta estudo da Nature

Migração global triplicou desde 2000, com o Golfo atraindo trabalhadores indianos e migrantes mexicanos aos EUA, aponta estudo da Nature

Atualmente, corredor de migrantes entre México e EUA é o maior do mundo
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  • O estudo da Nature mostra que a migração global cresceu de 13 milhões de pessoas/ano em 2000 para aproximadamente 35 milhões em 2023.
  • O Oriente Médio passou a registrar o maior fluxo de entradas, com 19 milhões de migrantes de Índia, Paquistão e Bangladesh indo para Arábia Saudita, Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos desde 2010.
  • Os únicos dois períodos de queda sustentada foram 2008–2009, na Grande Recessão, e 2020, na pandemia de covid-19.
  • O corredor México–Estados Unidos é o mais estável e volumoso, somando 13,6 milhões de movimentos desde 1990; em 2023 houve um crescimento expressivo, com estimativa de cerca de 550 mil durante a gestão de Joe Biden.
  • Em 2025, o presidente Donald Trump assinou decreto que suspende a entrada de imigrantes ilegais pela fronteira com o México, enquanto a pesquisa associa a migração a fatores como salários mais altos e demanda por mão de obra estruturais nos países do Golfo.

Um estudo da revista Nature, publicado nesta quarta-feira (10.jun.2026), aponta que os deslocamentos migratórios globais passaram de cerca de 13 milhões de pessoas por ano em 2000 para aproximadamente 35 milhões em 2023. Os dados abrangem 1990 a 2023 e sugerem que o crescimento não está diretamente ligado ao tamanho da população mundial.

O Oriente Médio concentrou o maior volume de entradas migratórias, com 19 milhões de pessoas de países como Índia, Paquistão e Bangladesh indo para Arábia Saudita, Qatar, Bahrein ou Emirados Árabes Unidos desde 2010. Em contrapartida, houve apenas dois períodos de queda contínua desde o milênio: 2008-2009, na esteira da Grande Recessão, e 2020, durante a pandemia.

Corredores migratórios

Entre os corredores, o fluxo entre México e Estados Unidos é o mais estável e volumoso, somando 13,6 milhões de movimentos desde 1990. Em 2023 houve um aumento expressivo, com pico estimado em cerca de 550 mil deslocamentos durante a gestão de Joe Biden.

O segundo e o terceiro maiores núcleos migratórios estão ligados à emigração da Índia rumo ao Golfo, com destaque para Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, onde, em 2023, pelo menos 250 mil pessoas seguiram para cada destino. A pesquisa aponta que salários mais altos e mercados de trabalho abertos explicam parte do fenômeno, já que o Golfo depende de mão de obra estrangeira.

Metodologia

O estudo utiliza redes neurais recorrentes para estimar fluxos anuais, com um estado latente atuando como memória do sistema. Esse modelo combina dados oficiais da ONU com sinais digitais de plataformas sociais e indicadores socioeconômicos, como PIB e expectativa de vida.

Ao todo, o modelo envolveu 15 redes em paralelo e gerou 1.500 simulações para ajustar os fluxos migratórios à dinâmica demográfica de cada país. O objetivo é melhorar a compreensão de padrões migratórios de longo prazo.

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