- A Austrália criou a primeira Área Protegida Indígena Marinha, chamada Karajarri Jurarr Ngurra, com 237.489 hectares de ecossistemas costeiros e marinhos no noroeste do país, na região de Kimberley.
- O território foi declarado em março pelo povo Karajarri e inclui parte de Malumpurr, a faixa costeira conhecida como Eighty Mile Beach.
- A criação amplia o papel dos povos originários na gestão ambiental, já acompanhada por áreas terrestres protegidas e programas de guardiões ambientais.
- A área abriga espécies como a tartaruga-marinha-de-casco-chato (Natator depressus), além de aves migratórias e peixes-serra dependentes dos ambientes costeiros e das áreas úmidas.
- A iniciativa integra a meta australiana de proteger trinta por cento do território até 2030 e destaca a contribuição de conhecimentos tradicionais para a conservação e a ciência.
A Austrália reconheceu oficialmente a sua primeira Área Protegida Indígena Marinha. Batizada de Karajarri Jurarr Ngurra, foi declarada em março pelo povo Karajarri e cobre 237.489 hectares de ecossistemas costeiros e marinhos na região de Kimberley, no noroeste. A área inclui parte de Malumpurr, na zona da Eighty Mile Beach.
Além de proteger áreas de manguezais e praias, o território abriga espécies como a tartaruga-marinha de casco-chato, aves migratórias e peixes-serra. Pesquisadores trabalham com guardiões ambientais locais para monitorar habitats e padrões de reprodução.
Antes da área marinha, os Karajarri já haviam garantido direitos sobre terras ancestrais, criado uma Área Protegida Indígena terrestre e estruturado o monitoramento pela comunidade. A nova medida amplia a gestão baseada em conhecimentos tradicionais.
A criação integra o objetivo nacional de proteger 30% do território australiano até 2030, medida adotada em acordos internacionais. Hoje, mais de 90 áreas indígenas de proteção ambiental já existem no país.
Composição e impactos
Especialistas destacam que a iniciativa alia conservação da biodiversidade a valorização cultural. Equipes de guardiões ambientais monitoram espécies, restauram ecossistemas e previnem ameaças como incêndios e espécies invasoras.
Pesquisas mostram retorno social, econômico e cultural para as comunidades locais. O modelo envolve participação direta de povos tradicionais na governança e na gestão de recursos naturais.
Perspectiva e saber tradicional
Projetos conjuntos entre cientistas e guardiões indígenas ampliam o conhecimento sobre a biodiversidade costeira de Kimberley. A combinação de métodos científicos e observação tradicional permite acompanhar mudanças ambientais relevantes.
Para os Karajarri, a área representa o reconhecimento formal de uma relação ancestral com terra e mar. A comunidade enfatiza que a proteção ambiental está ligada ao bem-estar das pessoas que nela vivem.
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