- A China aumentou as retenções de navios com bandeira panamenha em portos chineses desde 8 de março de 2026, sob o argumento de inspeções do estado do porto.
- Em abril, foram retidos 136 navios panamenhos, 6,4 vezes mais que a média de 2025; em março, foram 96 navios. O total desde o início do ano chega a 272.
- A decisão da Suprema Corte do Panamá retirou da CK Hutchison a concessão de dois terminais no Canal do Panamá: Balboa e Cristóbal, operados pela Panama Ports Company.
- A CK Hutchison acionou arbitragem internacional, alegando confisco ilegal, e busca indenização superior a US$ 2 bilhões; Pequim classifica a decisão como movida por pressão dos EUA.
- A Autoridade do Canal do Panamá passou a controlar os portos, enquanto críticas chinesas e ações de represália sinalizam uma escalada na disputa de influência entre China e Estados Unidos na região.
A China intensificou as retenções de navios com bandeira panamenha em portos chineses após a Suprema Corte do Panamá ter retirado a concessão de dois terminais no Canal. A decisão envolve a Panama Ports Company, controlada pela CK Hutchison, e ocorreu em meio a tensões entre Pequim e Washington sobre influência na América Latina.
As retenções, apresentadas como inspeções do Estado do porto, aconteceram com maior intensidade desde 8 de março de 2026. Em abril, foram 136 navios panamenhos imobilizados, seis vezes acima da média de 2025, e em março, 96 embarcações. O total de 272 navios imobilizados desde o começo do ano preocupa empresas e marítimos.
A Panama Ports Company administra Balboa, segundo maior porto de contêineres do Panamá, e Cristóbal, ambos na extremidade do canal. A decisão judicial retirou a concessão das operações, levando o governo panamenho a assumir o controle dos terminais via Autoridade Portuária Nacional. A CK Hutchison acusa expropriação de ativos e cobra indenização em arbitragem.
Pequim não reconhece interferência no canal, mas aponta que a decisão pode ter sido influenciada por pressão dos Estados Unidos. A China e Hong Kong manifestaram oposição, classificando o ato como má-fé, enquanto o Panamá afirma que não houve interferência externa. A CK Hutchison já havia anunciado venda de parte de seus ativos portuários globais.
O contexto envolve a disputa entre EUA e China pelo controle de rotas comerciais estratégicas. Em Washington, autoridades destacam que o canal é crucial para o transporte marítimo americano. Analistas veem as retenções como resposta de Pequim a ações que julga prejudiciais a interesses chineses ou ligados a Hong Kong.
Especialistas ressaltam que o movimento busca dissuadir outros governos de tomar medidas semelhantes. Além disso, há avaliação de que a pressão pode mirar a CK Hutchison como alvo indireto, especialmente após a venda anunciada de ativos portuários na região. Investidores consideram impactos sobre o comércio global.
No Panamá, a situação gera preocupação com a confiabilidade de registros de navios. O país mantém o registro aberto, com vantagens administrativas, mas o endurecimento de controles pode pressionar armadores a migrar para outras bandeiras, segundo a análise de especialistas. A situação segue acompanhada de perto pelos portos e pelos mercados internacionais.
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