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China prende dois líderes de igreja clandestina influente

Polícia detém dois líderes de igreja underground protestante em Jiangyou; mais de trinta fiéis são levados para interrogatório durante o culto dominical

More than 30 members of the Church were taken for interrogation midway through Sunday service
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  • A igreja protestante de influência proeminente na China disse que dois de seus líderes foram detidos durante um interrogatório de assembleia dominical em Jiangyou, no sudoeste do país.
  • Yan Hong e Wu Wuqing estariam entre mais de dezenas de fiéis, incluindo crianças, que foram encaminhados para interrogatório após a invasão de policiais armados no salão da igreja.
  • A polícia usou mais de 50 agentes durante o raid, realizado por volta das 11h locais, com membros da igreja ainda cantando e rezando até serem liberados em seguida.
  • A igreja informou que, durante o processo, alguns fiéis foram obrigados a assinar um termo de compromisso em troca da liberdade, sem esclarecer o conteúdo, e todos os detidos foram liberados entre as 18h e 23h.
  • Wang Yi, fundador da igreja, já foi detido em 2018 e cumpre uma sentença de nove anos; o governo mantém pressão sobre religiões não sancionadas e segue com operações contra igrejas subterrâneas.

Um grupo religioso protestante acusado de ser influente na China disse que dois de seus líderes foram detidos após mais de uma dezena de fiéis, incluindo crianças, serem levados para interrogatório durante culto dominical.

A detenção ocorreu em Jiangyou, no sudoeste do país, quando a polícia fortemente armada invadiu o salão onde ocorria a cerimônia, segundo a igreja Early Rain Covenant. A nota foi publicada nesta segunda-feira.

A igreja, fundada em 2008 em Chengdu, tem histórico de enfrentamento com o Partido Comunista Chinês, que controla rigidamente as atividades religiosas no país. O fundador Wang Yi já foi detido em 2018 e cumpre pena de nove anos.

Os motivos para a detenção de Yan Hong e Wu Wuqing, anunciada pela igreja em uma mensagem na Telegram, não foram esclarecidos pelas autoridades até o momento. Não houve reação oficial do governo à nota.

Imagens e vídeos divulgados pela igreja mostram fiéis sentados em um salão de hotel cercado por agentes da SWAT. Pelo menos 50 policiais participaram da operação, segundo relatos de membros.

Mais de 30 membros e líderes teriam sido levados para o centro de detenção de Jiangyou para interrogatório, enquanto outros permaneceram no salão. Durante o intercâmbio, os fiéis cantaram, oraram e permaneceram juntos.

Paralelamente, a igreja informou que houve tentativas de coação para que os fiéis assinassem um termo em troca da liberação, sem revelar o conteúdo do documento. A liberação ocorreu por volta das 18h.

Entre os detidos que não são Yan ou Wu, outros participantes foram liberados entre 21h e 23h, após terem sido questionados ao longo da noite. A operação ocorreu no mesmo dia.

Yan Hong e Wu Wuqing já teriam passado por detenção anterior, com último registro em janeiro, quando foram chamados por policiais por supostas provocações. O caso ocorre em contexto de intensa supervisão estatal sobre igrejas não sancionadas.

Dados oficiais de 2018 apontaram cerca de 44 milhões de cristãos na China, mas não está claro quanto disso envolve igrejas subterrâneas ou “caseiras”. O governo incentiva a filiação a templos aprovados pelo Estado.

A ChinaAid, organização que monitora perseguição religiosa, comenta que a ação reforça a percepção de que o regime trata a prática religiosa pacífica como ameaça ao controle estatal. O grupo cita casos recentes de repressão.

No mês passado, outra igreja subterrânea, Zion Church, teve 30 líderes presos em sete cidades. O fundador Ezra Jin permanece sob custódia, segundo organizações de monitoramento.

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