- Michaël Trazzi, neto de Eunice Paiva, lidera o movimento Stop the AI Race, que pede pausa global no desenvolvimento de IA pelas grandes empresas de tecnologia.
- Em setembro, ele jejuou sete dias em frente à sede do Google DeepMind, em Londres, e na frente da sede da Anthropic, em San Francisco.
- A repercussão do protesto ajudou a colocar a discussão sobre pausa na IA no radar público; em janeiro, o CEO da DeepMind mencionou a possibilidade de pausa se os concorrentes também interrompessem o desenvolvimento.
- Em março, Trazzi organizou um protesto em San Francisco com cerca de uma centena de pessoas entre as sedes de grandes empresas de IA; a Anthropic chegou a recuar de compromissos públicos anteriores.
- O ativista, que vive nos Estados Unidos, é filho de Ana Lúcia Paiva e tem atuação ligada à segurança da IA, com passagem pelo Future of Humanity Institute e pela École 42.
Michaël Trazzi, ativista francês radicado nos Estados Unidos, tornou-se uma figura de destaque na pressão por pause no desenvolvimento de inteligência artificial. Líder do movimento Stop the AI Race, ele defende uma paralisação global das big techs devido aos riscos potenciais que a IA representa para a humanidade.
O ativista tem ganhado espaço na mídia norte-americana e já chamou atenção ao iniciar uma greve de fome em protesto contra as grandes empresas de IA. Em setembro do ano passado, participou de ações em frente a sedes da Alphabet/Google DeepMind, em Londres, e da Anthropic, em San Francisco.
A história de Trazzi ganha contornos familiares ao revelar que é neto do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado pela ditadura militar brasileira, e que sua avó Eunice Paiva lutou pela recomposição da verdade sobre o crime. Eunice inspira a trajetória do neto e a mobilização pelo reconhecimento histórico.
O movimento ganhou fôlego após o protesto de março deste ano, quando Trazzi organizou uma marcha em San Francisco que percorreu trajetos entre sedes de grandes empresas de IA, reunindo cerca de cem pessoas. Nesse período, a Anthropic havia recuado de um compromisso público de interromper o desenvolvimento de modelos de IA perigosos sem salvaguardas adequadas.
Antes da marcha, a Anthropic já havia sinalizado, em março, mudanças em sua abordagem. Na semana passada, a empresa chegou a suspender o acesso a dois modelos de IA em resposta a uma ordem de segurança nacional dos Estados Unidos, reforçando o debate sobre governança e segurança nessa área.
Para 11 de julho, Trazzi e seus aliados convocaram novo protesto. O objetivo é ampliar a pressão pela suspensão global do desenvolvimento da IA, envolvendo não apenas empresas americanas, mas também atores estrangeiros, incluindo a China. A ideia é que os líderes tomem publicamente esse compromisso.
Na trajetória acadêmica, Trazzi estudou inteligência artificial na Sorbonne e engenharia de software na École 42, na França. Ele participou de estágios e iniciativas associadas a temas de segurança da IA, com passagem pelo Future of Humanity Institute, ligado à Universidade de Oxford, e pela produção de conteúdos audiovisuais sobre o tema.
A experiência de vida do ativista também se conecta a projetos culturais: ele lançou documentários e um podcast sobre debates e riscos da IA, consolidando-se como voz de referência nesse campo. A relação com o Brasil permanece presente, alimentando uma leitura de risco e responsabilidade que perpassa sua atuação internacional.
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