- Major Oleksandr Ivanov, fuzileiro naval ucraniano, foi capturado em Mariupol e passou 1.495 dias em uma cela de uma colônia penal na Mordóvia, Rússia.
- Durante o cativeiro, dividia a espaço com oito detentos, mal recebia comida e perdeu 30 kg; as visitas e conversas eram severamente limitadas.
- Para passar o tempo, passou a recontar, de memória, os sete livros de Harry Potter para os companheiros, em sessões diárias de várias horas, em formato parecido com audiolivro.
- A esposa, Nelly, manteve contato por meio de relatos de outros prisioneiros libertados; escreveu a J. K. Rowling sobre a história dele. Ivanov foi libertado em 15 de maio, em troca de prisioneiros.
- Hoje ele está no processo de recuperação, recebendo apoio e lembranças ligadas a Harry Potter de pessoas que conheceram a história.
O fuzileiro naval ucraniano Oleksandr Ivanov passou 1.495 dias em cativeiro na Rússia, após ser capturado em Mariupol, durante a ofensiva russa na Ucrânia. Sua prisão ocorreu em uma colônia penal na Mordóvia, onde vivia em condições duras e de isolamento.
Dentro de uma cela úmida, ele ficou sem contato com o mundo externo, sem saber se a Ucrânia resistia ou se a família estava bem. A rotina era de espaços estreitos, alimentação limitada e vigilância constante.
Antes da invasão, Ivanov servia como major da 36ª Brigada de Fuzileiros Navais. A primavera de 2022 trouxe a captura e mudanças profundas em sua vida, com relatos de cheiros e ambientes carregados de pressão psicológica nas prisões.
O marido de Nelly, que vivia sob controle rígido, recebeu apenas hoje mensagens raras. Em bits de informações coletadas por mutos de prisioneiros libertados, a esposa soube de sua localização e saúde de forma fragmentada ao longo dos anos.
Durante o cativeiro, as condições pioravam com frequência, incluindo punições como queima de cartas recebidas e propaganda contínua. O peso de Ivanov caiu consideravelmente, ao ponto de perder cerca de 30 kg.
Nos dias mais difíceis, os presos podiam caminhar pouco tempo, recebiam comida de qualidade questionável e viviam em silêncio quase total. A cada dia, a tensão psicológica era mantida pelos guardas e pela distância da família.
Foi apenas no último ano de cativeiro que as condições melhoraram um pouco, com menos rondas e relatos de provocações. Ivanov conseguiu enviar uma breve mensagem de voz à esposa; ela respondeu com poucas frases, mantendo o contato vivo.
Nelly manteve a esperança ao longo dos anos, reunindo fragmentos de informações sobre o marido. A notícia de que ele contava histórias de Harry Potter aos colegas de cela trouxe um alívio momentâneo à família.
O ponto de virada ocorreu quando Ivanov decidiu recontar fielmente os sete livros de Harry Potter para elevar o ânimo dos companheiros. A ideia ganhou adesão entre os presos, que pediram a repetição da narrativa diariamente.
A paixão pelos livros nasceu nos anos 2000, quando Ivanov participou de um programa infantil e escolheu Harry Potter. A história cativou-o tanto que, mesmo em regimes de privação, se transformou em audiolivro para a turma.
Entre os detentos, a leitura de Hogwarts ajudou a manter a esperança viva. O conhecimento dos livros também aproximou Ivanov de alguns guardas, que passaram a tratar o prisioneiro com maior humanidade.
Em maio deste ano, a Coordenação Ucraniana para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra informou a libertação de Ivanov. Ele retornou à família após a troca de prisioneiros, iniciando o processo de recuperação.
Agora, Ivanov recebe apoio de centenas de mensagens e de pacotes com lembranças de Harry Potter enviados por pessoas que acompanharam sua história. O fuzileiro expressa gratidão e orgulho de retornar ao país.
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