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Brasil diverge dos documentos do G7, textos moldados para não desagradar Trump

Brasil diverge do G7, aderindo a apenas três dos oito textos e rejeitando dois, para não contrariar Washington, segundo fontes oficiais

Presidente Lula durante o encontro do G7 em Évian, na França, nesta terça (16)
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  • O Brasil aderiu a apenas três dos oito textos negociados pela França na cúpula do G7 e recusou dois dos três já divulgados nesta terça-feira (16).
  • Brasília aposta que muitos textos foram moldados para não contrariar os Estados Unidos, omitindo temas como mudança climática, dívida externa e o papel da Organização Mundial da Saúde.
  • A única declaração aceita pelo governo foi a sobre combate ao câncer; demais documentos sobre desenvolvimento, OMS e migração foram rejeitados ou não incorporados.
  • Entre os textos restantes que o Brasil pode aderir, estão a declaração sobre proteção de crianças nas redes sociais e a sobre combate ao narcotráfico, desde que o conteúdo final permaneça como o atual.
  • Lula e Trump não tiveram confirmação de encontro formal; a agenda de quarta-feira inclui sessão sobre crescimento econômico, almoço com empresas de tecnologia e possível encontro com o presidente do Egito, além de atividades em Genebra com autoridades de segurança e uma reunião com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.

O Brasil encerrou o primeiro dia da cúpula do G7 em Évian com sinais de distância em relação ao grupo das sete maiores economias. Dos oito documentos negociados pela presidência francesa, o governo Lula aderiu a apenas três e recusou dois dos três já divulgados na terça-feira (16).

A avaliação brasileira é de que muitos textos foram moldados para manter os Estados Unidos na pauta e evitar atritos com Trump. O resultado foi a omissão de temas como mudanças climáticas, reformas multilaterais e OMS, segundo Brasília.

A única adesão anunciada envolve a declaração sobre combate ao câncer, considerada prioritária na saúde pública pelo governo. O tema prevê ampliar o atendimento oncológico na rede pública.

Desenvolvimento global em pauta

A declaração sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento foi rejeitada. O texto propõe mobilizar capital privado para a ajuda ao desenvolvimento, abordagem considerada insuficiente e despolítica pela agenda brasileira.

Brasília aponta ainda omissão sobre questões ambientais, dívida externa e fome, e ausência de menção à mudança climática. A recomendação de Washington, segundo o governo, estaria influenciando esse resultado.

A declaração sobre o surto de ebola na RDC e em Uganda também não recebeu apoio brasileiro. O motivo é a ausência de menção à OMS, o que o Brasil criticou como forma de não confrontar Washington.

Próximos passos na cúpula

Das cinco mensagens remanescentes, o Brasil deve aderir a mais duas: defesa de proteção a crianças nas redes sociais e combate ao narcotráfico, desde que o texto final mantenha o conteúdo atual, incluindo combate à lavagem de dinheiro sem enquadrar grupos terroristas.

Não deverá assinar a declaração sobre desequilíbrios macroeconômicos, visto como centrada na China sem considerar impactos de unilateralismo comercial e de conflitos internacionais sobre cadeias produtivas. A migração permanece em avaliação.

No âmbito da reunião, Lula deve participar de sessão sobre crescimento econômico equilibrado e de almoço com grandes empresas de tecnologia para discutir IA. Também pode ocorrer uma reunião com o presidente do Egito, se confirmado.

Contatos e agenda futura

Após Évian, o presidente vai a Genebra, com agenda envolvendo a Interpol e a Polícia Federal, em meio a tensões com Washington após a designação de organizações como terroristas por parte dos EUA. A agenda inclui ainda encontro com Volodimir Zelenski, a pedido de Kiev.

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