- EUA e Irã concordaram com cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz; demais assuntos ficam adiados por sessenta dias, retornando ao estado anterior ao conflito.
- Em 28 de fevereiro de 2026, Israel e Estados Unidos lançaram ofensiva coordenada contra o Irã; negociações nucleares indiretas mediadas por Omã ocorreram antes da ação.
- Estados Unidos apresentaram exigências: fim do enriquecimento de urânio, limites aos mísseis balísticos e interrupção do financiamento a grupos considerados terroristas; objetivo é limitar o poder iraniano.
- O ataque resultou na destruição de estruturas do regime, incluindo o complexo do aiatolá Khamenei e o ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional, com milhares de militares da Guarda Revolucionária afetados.
- Pela leitura de Clausewitz, vitórias táticas não asseguram objetivos políticos; o Irã sofreu perdas estratégicas, mas mantém capacidades e território, tornando improvável que os objetivos políticos sejam plenamente atingidos pelos vencidos ou pelos vencedores.
O que aconteceu: Estados Unidos e Irã teriam alcançado um cessar-fogo, com a reabertura do Estreito de Ormuz. Todo o restante do conflito fica adiado por 60 dias, restabelecendo o que havia antes da guerra. O ato não é visto como vitória, mas como retorno ao status quo ante bellum.
O que aconteceu continua: ataques coordenados entre Israel e os EUA, em 28 de fevereiro de 2026, miraram alvos no Irã. As operações tiveram nomes diferentes para cada país: Leão Rugidor para Israel e Fúria Épica para os EUA. As negociações anteriores, mediadas por Omã, já haviam começado quando a ofensiva começou.
Quem está envolvido: EUA, Israel e Irã são os protagonistas centrais. O Irã sofreu danos ao seu comando e a instalações estratégicas, segundo relatos. A ofensiva também afetou a Guarda Revolucionária e o regime, com perdas entre altos comandantes e militares.
Quando e onde: o ataque coordenado ocorreu em 28 de fevereiro de 2026, envolvendo alvos dentro do Irã. O cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz foram anunciados posteriormente, com foco na região do Golfo e no estreito estratégico.
Por quê: o objetivo político declarado dos EUA era limitar a projeção de poder iraniana. As exigências incluíam fim do enriquecimento de urânio, controle de mísseis balísticos e suspensão de apoio a grupos considerados terroristas. No Irã, o fechamento foi visto como tentativa de desestabilizar o regime.
Análise estratégica segundo Clausewitz
Os defensores da abordagem de Clausewitz apontam que guerra é política continuada por outros meios. Para ele, política, estratégia e tática devem convergir; quando divergem, surgem vitórias táticas sem ganho político.
A guerra no Irã de 2026 é apresentada como exemplo dessa tensão entre objetivos políticos e resultados militares. O ataque visou desativar centros de comando, degradar capacidades de combate e interromper instalações estratégicas, com impactos táticos relevantes.
Desdobramentos políticos
O acordo de cessar-fogo gerou desgaste político para EUA e Israel. O Memorando de Entendimento não encerrou completamente o programa iraniano nem o financiamento a grupos considerados ameaças, deixando questões espinhosas para negociação futura.
Israel, por sua vez, indicou resistência ao memorando e não aderiu aos termos. O primeiro-ministro Netanyahu participou de decisões em meio a tensões com aliados e com o próprio governo.
Cenário militar e regional
Apesar das perdas, o Irã mantém sua força militar, com grande contingente ativo e de reserva. O país dispõe de capacidade de defesa, indústria de drones e mísseis, o que complica qualquer hipótese de ocupação prolongada.
A posição dos Estados Unidos é influenciada pela necessidade de apoio doméstico ao longo de uma possível escalada. A resolução por meio de um acordo pode deixar espaço para ações futuras de sabotagem por aliados regionais.
Conclusões provisórias
O conjunto de ações descritas demonstra paralelos com o paradoxo Clausewitziano: vitórias táticas não asseguram vitórias políticas duradouras. O desfecho político do confronto permanece dependente de negociações futuras e da preservação ou alteração das condições de segurança regional.
Vitelio Brustolin é professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard
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