- Após o acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra, a TV estatal iraniana informou retomada das operações no estreito de Ormuz; os EUA teriam aliviado o bloqueio, e três petroleiros estão no norte do oceano Índico, outros dois transportando mercadorias.
- Em 13 de abril, os Estados Unidos impuseram bloqueio aos portos iranianos em resposta ao fechamento estratégico do estreito de Ormuz.
- O professor Leonardo Trevisan afirma que a normalização ainda levará tempo: mais de 800 navios permanecem parados, e é preciso um reequilíbrio de estoques; o preço do petróleo pode subir após esse período.
- Para o Irã, o acordo era necessário para liberar portos e retomar o comércio, mas a relação com Donald Trump não está resolvida.
- Segundo Trevisan, a negociação não será tão fácil quanto o presidente americano espera; o Irã tem poder econômico e pode conter a justificativa do arsenal nuclear.
Um dia após Washington e Teerã anunciarem um acordo para encerrar o conflito, a televisão estatal do Irã informou que petroleiros do país retomaram operações no estreito de Ormuz. Segundo o canal, os EUA teriam concedido alívio ao bloqueio, com três navios no norte do Oceano Índico e outros dois transportando mercadorias.
A notícia ocorre em meio a tensões que seguiram a decisão dos EUA, em 13 de abril, de bloquear portos iranianos em resposta a ações consideradas estratégicas no estreito. O bloqueio compõe o pano de fundo de negociações recentes entre as duas potências.
Análise do especialista
Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais, afirma que a normalização completa demanda tempo. Ele cita que centenas de navios continuam parados e que há necessidade de reestocar estoques para estabilizar o fluxo de petróleo e os preços.
Para o Irã, o acordo era visto como condição para liberar portos e retomar o comércio, ainda que as disputas com o governo de Donald Trump não estejam inteiramente resolvidas. O especialista aponta que o tema nuclear iraniano pode ser usado como justificativa política no futuro.
Trevisan destaca que a negociação não deve ser simples para o governo americano. O Irã detém poder econômico relevante e monitora de perto a conjuntura regional, o que pode influenciar desdobramentos futuros.
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