- Lula, na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, criticou protecionismo e unilateralismo e defendeu a soberania dos Estados na luta contra o crime organizado.
- Trump estava quase frente a Lula durante a reunião; o Brasil não assinou o documento de parcerias internacionais, usando a alegação de que a ajuda deve ter maior participação do setor privado e responsabilidade principal dos Estados.
- O presidente brasileiro citou a queda de vinte e três por cento da ajuda oficial mundial e mencionou o desmantelamento da Usaid, agência de desenvolvimento dos Estados Unidos, em dois mil e vinte e cinco.
- Sobre o crime organizado, Lula disse que o combate a crimes transnacionais e ao narcotráfico deve integrar a agenda de desenvolvimento e destacou que a luta deve respeitar a soberania dos Estados; EUA classificaram recentemente o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como terroristas.
- Em outro assunto, houve discussões sobre o veto da União Europeia à carne brasileira; foi acordado um mecanismo bilateral com a Comissão Europeia, e Lula também participou de encontros com a primeira-ministra japonesa, sinalizando negociações do Mercosul com o Japão.
Em Évian-les-Bains, nos Alpes franceses, Lula discursou na cúpula do G7 defendendo soberania nacional no combate ao crime organizado e criticando, de forma indireta, protecionismo e unilateralismo. O tom foi de defesa de parcerias para o desenvolvimento sem abrir mão de autonomia dos Estados.
O presidente brasileiro sinalizou que o Brasil não assinou o documento final sobre parcerias internacionais. Segundo fontes diplomáticas, o país reagiu à percepção de que desenvolvidos priorizam financiamentos com maior participação privada, criando expectativa de responsabilidade da iniciativa privada.
Além disso, Lula destacou a queda histórica da ajuda oficial ao desenvolvimento, de 23% no ano anterior. O governo dos EUA, por sua vez, encerrou em 2025 a Usaid, agência de ajuda ao desenvolvimento, sob alegação de fraudes e desperdício.
Proteção e soberania no combate ao crime
O mandatário ressaltou que guerras desviam o foco da agenda de desenvolvimento, e que o neoliberalismo intensificou desigualdades e crises políticas. Sobre o crime transnacional, ele defendeu que a luta contra o narcotráfico deve respeitar a soberania dos Estados.
Foi mencionada a decisão recente dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Lula associou o tema a debates sobre cooperação internacional, mantendo o princípio de respeito à soberania.
Relações com parceiros e desafios da agenda
O encontro com a primeira-ministra japonesa, Takaichi Sanae, ocorreu à margem do G7. Foi anunciado que a próxima cúpula do Mercosul, em Assunção, Paraguai, lançará negociações com o Japão para um acordo de parceria econômica.
Antes, Lula reuniu-se com Ursula von der Leyen e Antonio Costa, da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, para tratar do veto da UE à carne brasileira a partir de setembro. A UE alega não conformidade com normas sobre antimicrobianos.
Um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e a Comissão Europeia ficou acordado para acompanhar as discussões técnicas. Instituído para buscar solução, o dispositivo sinaliza sensibilidade política diante de divergências técnicas.
Perspectivas até o fechamento da cúpula
Nesta quarta-feira, último dia da agenda do G7, Lula participa de sessão sobre crescimento equilibrado, com discurso sobre reforma da governança mundial e de instituições como ONU e OMC. Também está programado almoço com líderes e CEOs de tecnologia e IA.
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