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China defende a ONU, mas a classifica como inadequada

China vê a ONU como inadequada, defende reformas estruturais e multilateralismo como caminho, diante de conflitos e elevação de gastos militares globalmente

No relatório, China critica algumas ações adotadas pelos EUA, mas sem citar o país diretamente; na imagem, o presidente da China, Xi Jinping, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump
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  • A China publicou um relatório defendendo a ONU como a melhor opção para a estabilidade global, mas dizendo que o organismo está inadequado e precisa de reformas estruturais.
  • O documento afirma que o cenário internacional é crítico e que o número de conflitos em 2025 atingiu o maior nível desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com mais de cinquenta países envolvidos.
  • Pequim critica ações protecionistas e retiradas de tratados por algumas potências, e menciona possíveis cobranças aos Estados Unidos como parte das causas do impasse global.
  • O texto afirma que a ONU é insubstituível, defende reformas em vez de criar um novo instrumento internacional e não apresenta propostas diretas de mudanças no Conselho de Segurança.
  • O Brasil é citado como aliado na iniciativa de montar um grupo para facilitar conversas de paz na guerra da Ucrânia, e o relatório diz ter apoio de mais de sessenta países para a agenda chinesa.

O Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China publicou nesta quarta-feira (17.jun.2026) um relatório definindo a ONU como a melhor alternativa para garantir a estabilidade global, mas afirmando que, no estado atual, a organização é inadequada e precisa de reformas. O documento, divulgado em Pequim, apresenta uma visão chinesa sobre governança mundial e o papel da ONU no sistema multilateral.

O texto destaca que as transformações globais e a ineficiência da ONU têm levado o mundo a um dos períodos mais conflituosos das últimas décadas. Ele aponta que, em 2025, o número de conflitos armados atingiu o maior nível desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com mais de 50 países direta ou indiretamente envolvidos. Além disso, o relatório registra um aumento significativo nos gastos militares globais.

O relatório não atribui culpas diretamente a países específicos, mas menciona, de forma implícita, os Estados Unidos ao criticar a retirada de tratados internacionais e o crescimento de protecionismo, que teriam afetado o comércio global. O governo norte-americano vem, em anos recentes, promovendo desengajamentos de organizações multilaterais.

Apesar da crítica à ONU, a China afirma que a instituição é insubstituível e defende reformas estruturais em vez de uma ruptura com o sistema multilateral existente. O texto sinaliza que a melhor trajetória é aperfeiçoar o funcionamento da ONU, sem propor, de imediato, mudanças no Conselho de Segurança.

Ponto-chave: posição da China sobre ONU e reformas

O documento sustenta o apoio de mais de 60 países à agenda de mudanças defendida pela China para fortalecer a ONU. Em paralelo, destaca que o governo de Xi Jinping não detalha propostas específicas de reforma, mesmo afirmando que alguns países dificultam a adoção de resoluções no âmbito da entidade.

Entre os exemplos de cooperação internacional, o relatório cita o Brasil como aliado na ideia de criar um grupo para facilitar as conversas de paz relacionadas à guerra na Ucrânia. O Brasil aparece como participante relevante da iniciativa mencionada pelo governo chinês.

Contexto e desdobramentos

O relatório chega em meio a um clima de maior disputa diplomática e críticas ao atual desenho das instituições internacionais. A China posiciona-se como defensora do multilateralismo, ao mesmo tempo em que reivindica mudanças profundas no funcionamento e na governança global, sem apontar de forma concreta quem deveria liderar tais mudanças.

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