- Diezani Alison-Madueke, ex-ministra de petróleo da Nigéria (2010-2015) foi absolvida pela Southwark Crown Court de cinco acusações de receber subornos e de conspiracy to commit bribery, no Reino Unido.
- Também foram absolvidos o irmão dela, Doye Agama, e o executivo Olatimbo Ayinde, todos ligados aos casos de corrupção na indústria do petróleo.
- O julgamento, iniciado em janeiro, encerrou uma apuração da National Crime Agency que durava treze anos, com questionamentos sobre documentos perdidos e atrasos processuais.
- Alison-Madueke destacou, em tribunal, que foi pioneira para mulheres na Nigéria e que enfrentou censuras pelo seu papel em OPEC, incluindo ter sido a primeira mulher a presidir o bloco em dois mil e quatorze.
- Ao final, a ex-ministra disse que seu “pesadelo acabou” após anos de vilipêndio, enquanto o caso levantou dúvidas sobre a condução da investigação.
Diezani Alison-Madueke, ex-ministra do petróleo da Nigéria, foi absolvida no Reino Unido de cinco acusações de recebimento de subornos e de conspiração para cometer suborno. A decisão ocorreu no Southwark Crown Court, em Londres, após júri considerá-la not guilty. O veredito encerra um caso que durou 13 anos sob investigação da National Crime Agency (NCA).
A acusação alegava que a ex-ministra recebeu benefícios de executivos da indústria do petróleo, incluindo estadas luxuosas e gastos excessivos no Reino Unido, em troca de favorecimentos contratuais. Alison-Madueke ocupou o cargo entre 2010 e 2015, sendo a primeira mulher a chefiar o conselho da Opec.
Além dela, o julgamento envolveu outras duas pessoas. O irmão mais velho, Doye Agama, de 69 anos, arcebispo em Manchester, foi absolvido de conspiração para cometer suborno. Já o executivo Olatimbo Ayinde, 54, também foi considerado não culpado de bribery e de bribery of a foreign public official. Ayinde atuava como informante na operação anticorrupção nigeriana.
Veredicto e posicionamento das partes
Os advogados de defesa contestaram a lisura da acusação desde o início, apontando documentos supostamente relevantes que teriam sumido na Nigéria. Questionaram ainda a demora para levar o caso a julgamento, caracterizando-a como falha do sistema de justiça britânico.
A promotoria, por sua vez, argumentou que Alison-Madueke teria permitido que homens influentes com contratos governamentais financiassem seu estilo de vida. Contudo, o tribunal não comprovou que a ministra tenha concedido contratos a algum dos magnatas citados na acusação.
A ex-ministra, em depoimento, afirmou não ter pedido nem aceitado suborno e explicou que muitos itens de luxo não eram destinados a ela, mas a visitas para consultoria de design de interiores em propriedades de terceiros. Também sustentou que ministros não podiam manter contas no exterior durante o serviço e que recebimentos teriam sido reembolsados na Nigéria.
Repercussões e próximos passos
Durante o julgamento, a defesa ressaltou que a investigação pode ter sido comprometida pela falta de acesso a evidências no espaço da Abuja, em 2015, o que, segundo eles, impactou a condução do caso. O papel de outras testemunhas e a confiabilidade de evidências da EFCC foram questionados pela defesa.
Em nota pós-veredicto, Alison-Madueke declarou que seu “pesadelo acabou”, afirmando ter sido alvo de vilificação injusta durante anos. O processo, iniciado em janeiro, chegou ao fim com a absolvição dos réus e sem novas acusações anunciadas.
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