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Irã sai vencedor de acordo inicial de paz assinado com EUA, segundo professor

Brustolin aponta vitória parcial do Irã com acordo inicial, mantendo o Estreito de Ormuz e pressionando negociações para um acordo definitivo

Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente do Irã, Masoud Pezeshkian — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters e Angelina Katsanis/AP Photo
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  • Irã e EUA assinam memorando de entendimento para encerramento inicial de hostilidades, com perspectivas de acordo final, assinado em 17 de junho.
  • Irã permanece com controle do Estreito de Ormuz e usa esse poder para pressionar negociações, buscando frear a projeção regional de Israel.
  • Programa nuclear iraniano fica em debate nos próximos 60 dias, com possibilidade de prorrogação, em paralelo às tratativas para o acordo final.
  • EUA prometem suspender sanções, liberar ativos iranianos e apoiar recuperação econômica de até US$ 300 bilhões; Irã reabre o Estreito de Ormuz em até 30 dias.
  • Documento estabelece 14 pontos, incluindo fim da guerra, respeito à soberania, negociações para acordo final e ratificação por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU em até 60 dias.

O Irã pode ser considerado vencedor inicial em um acordo de paz com os EUA, segundo análise de especialistas. O pacto, assinado na última quarta-feira, envolve o fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e exigeções que foram levadas à mesa de negociações, alterando a geopolítica da região.

Segundo o professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, o Irã manteve o controle do estreito, o que permitiu impor condições na mesa de negociação. Mesmo com perdas militares e ataques a civis, Teerã obtém ganhos em termos de vínculo diplomático e redução de sanções.

A assinatura do memorando, apresentado pelos presidentes dos EUA e do Irã, ainda não define um acordo definitivo. A leitura do documento indica que trata-se de um cessar-fogo com vias abertas para negociações futuras, em especial sobre o programa nuclear.

O estreito, passagem crucial para o comércio global de petróleo, havia sido fechado pelo Irã em fevereiro. A reabertura, dentro de 30 dias, é condicionada a diálogo com Omã e outros países da região para gestão futura da rota marítima.

Brustolin alerta que o acordo pode frear a projeção regional do Irã e interromper a trajetória de ganho de poder de Israel na região. Contudo, o desfecho definitivo depende da assinatura de um acordo final entre as partes.

Ele aponta que, diante do equilíbrio de forças, o Irã manterá boa parte de seu arsenal de mísseis e drones, além do programa de urânio. O tema nuclear permanece em negociação e deverá ser discutido nos próximos 60 dias, com prorrogação se necessário.

O acordo inicial busca evitar novas sanções amplas e permite que o Irã reabra o comércio de petróleo e receba apoio econômico de até US$ 300 bilhões, sem desmantelar redes associadas a grupos considerados terroristas, segundo fontes ouvidas pela comunidade acadêmica.

Até a assinatura, Israel continua enfrentando múltiplos focos de atuação de aliados iranianos na região, o que amplia o contexto de complexidade geopolítica e de segurança regional.

Proposta inicial de itens acordados

1. Fim imediato da guerra entre EUA e Irã, com respeito à soberania libanesa.

2. Não interferência mútua nos assuntos internos.

3. Negociações para um acordo final em até 60 dias, com prorrogação possível.

4. Suspensão de bloqueio naval dos EUA e retirada de forças da região em até 30 dias.

5. Reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, com passagem segura por 60 dias.

6. Programa de reconstrução econômica do Irã com financiamento mínimo de US$ 300 bilhões.

7. Encerramento de sanções internacionais e nacionais contra o Irã.

8. Irã não produzirá armas nucleares; discussão sobre o enriquecimento com supervisão da AIEA.

9. Manutenção do status quo nuclear até o acordo final.

10. Permissão para o Irã comercializar petróleo.

11. Liberação de ativos iranianos congelados.

12. Estabelecimento de mecanismo de implementação para monitorar o memorando.

13. Foco das negociações finais nas cláusulas não adjacentes aos itens já em implementação.

14. Ratificação do acordo final por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU em até 60 dias.

As partes destacam que o texto ainda não substitui um acordo definitivo, mas sinaliza uma mudança significativa na arquitetura de poder da região. Enquanto os detalhes finos seguem em negociação, a comunidade internacional monitora de perto o avanço das tratativas.

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