- O ICE informou que 50 imigrantes morreram em centros de detenção desde o início da campanha de deportação em janeiro de 2025, durante o governo de Donald Trump.
- A taxa de mortalidade subiu de cerca de 1 morte para cada 3.848 detidos (2009–2024) para aproximadamente 1 morte para 1.630 detidos, com dados preliminares até o começo de junho.
- Casos citados incluem um vietnamita que desmaiou e morreu no Speedway Slammer, em Indiana; um chinês encontrado enforcado em um centro na Pensilvânia; e um hondurenho com abstinência alcoólica que morreu em Nova York.
- Dos 50 óbitos, 21 foram identificados após a morte ou desmaio do detido; entre eles, 10 suicídios.
- Especialistas destacam preocupações sobre a supervisão médica e os cuidados nos centros, enquanto autoridades do DHS afirmam que o atendimento médico é fornecido desde a admissão.
O número de mortes em centros de detenção de imigrantes geridos pelo ICE mais que dobrou desde o início da campanha de deportação em massa de 2025. Ao todo, 50 detidos faleceram desde janeiro, segundo registros oficiais obtidos por meio de pedido de acesso a informações.
Entre as ocorrências, destaca-se a morte de um vietnamita com problemas cardíacos no Speedway Slammer, antiga prisão de segurança máxima reativada para fins de repressão à imigração. Em Pensilvânia, um homem chinês que já havia tentado suicídio foi encontrado enforcado em um centro local. Em Nova York, um hondurenho morreu em sua cela após apresentar sinais de abstinência.
Dados preliminares da Reuters, obtidos com apoio do Vera Institute of Justice, indicam que a taxa de mortalidade aumentou desde 2009 a 2024, quando havia uma média de uma morte a cada 3.848 detidos. Com o retorno de Trump ao cargo, a taxa passou a cerca de uma morte para cada 1.630 pessoas, com registros até o início de junho.
Os números refletem um aumento da população de detidos nos EUA. O ICE detinha aproximadamente 70 mil imigrantes no auge da operação de repressão em Minneapolis, antes de recuar para 57 mil no início de junho. Nas últimas semanas, 21 das 50 mortes ocorreram após o detido já estar morto ou inconsciente.
Especialistas consultados pela Reuters levantam preocupações sobre a supervisão médica nos centros. O aumento da população, aliado a relatos de mortes por causas como ataques cardíacos e problemas cardiovasculares, sugere eventuais falhas nos exames médicos iniciais e no tratamento de doenças crônicas, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Chanelle Diaz, professora de medicina, afirma que o sistema parece não ter sido projetado para gerenciar cuidados crônicos. Segundo ela, ao menos dois detidos que morreram tinham demência e não representavam risco público. Médicos ligados ao estudo destacam que falhas no atendimento emergencial podem ter contribuído para mortes evitáveis.
O Departamento de Segurança Interna não forneceu detalhes completos sobre as mortes analisadas pela Reuters. Em resposta, a agência assegura o oferecimento de atendimento médico durante toda a permanência dos detidos, embora reconheça a necessidade de investigação de casos específicos.
Dúvidas sobre o atendimento médico surgem pela escassez de informações em relatórios oficiais. Documentos disponíveis costumam carecer de histórico médico, dados sobre medicamentos e detalhes da resposta de emergência, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Entre os casos citados, está a morte de Santos Reyes Banegas, ocorrida em Nassau County, Nova York, em setembro de 2025. O relatório do ICE descreve sintomas de abstinência à admissão e tratamento médico subsequente, mas não especifica medicamentos ou encaminhamentos. Investigação estadual aponta para ausência de responsabilidade de agentes pela morte.
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