- O possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã é analisado, com mediação do Paquistão e apoio de outros países, mas sem a participação de Israel; há ataques do Exército israelense no sul do Líbano contra o Hezbollah.
- O texto ressalta que o fim do conflito ainda gera dúvidas, principalmente pela ausência de Israel e pela dinâmica regional.
- Desdobramentos políticos são analisados para cada parte: EUA enfrentam eleições em novembro e queda de popularidade pela guerra; Israel pode enfrentar mudanças em seu governo; Palestina busca reconstrução; Irã tem cenário econômico e social difícil, com risco de novas manifestações; milícias apoiadas pelo Irã, como Hezbollah, Hamas e Houthis, podem sair enfraquecidas.
- O professor aponta que nenhum ator pode ostentar vitória clara neste processo.
- No aspecto internacional, observa-se fragmentação e multipolaridade, com a China ganhando peso, mas também a necessidade de cooperação e multilateralismo frente riscos globais.
Na semana em que circula a notícia sobre um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o professor Pedro Dallari analisa o cenário por trás do anúncio. Ele destaca que o fim do conflito no Oriente Médio permanece cercado de dúvidas e complexidades, especialmente pela ausência de Israel no eixo do acordo.
Dallari aponta que o tratado seria costurado entre EUA e Irã, com mediação do Paquistão e apoio de outros atores da região. Enquanto o exército israelense intensifica ataques no sul do Líbano contra o Hezbollah, o entendimento pode enfrentar dificuldades.
Além disso, o analista avalia os desdobramentos políticos para as lideranças envolvidas. Nos EUA, a esperança de vitória militar rápida não se confirmou, e a posição do presidente enfrenta avaliações negativas diante da guerra prolongada. Israel também trabalha com dilemas eleitorais.
Para a Palestina, a prioridade é a reconstrução do território destruído pelas ações militares desde outubro de 2023. O Irã, por sua vez, aparece com resultado favorável pela resistência, mas enfrenta dificuldades econômicas e sociais internas que podem reacender protestos.
As milícias ligadas ao Irã — Hezbollah, Hamas e Houthis — aparecem enfraquecidas pelo processo, aponta o professor. Nenhuma parte do conflito sai com vitória clara, segundo a leitura dele, o que complica leituras simples de ganho estratégico.
Reconfiguração global e multilateralismo
O analista observa uma tendência de fragmentação e multipolaridade, com os EUA perdendo parte de sua capacidade de liderança mundial. China e outros atores ganham peso, ao mesmo tempo em que o confronto ressalta a necessidade de cooperação para economia, pandemias e riscos nucleares.
Por outro lado, o episódio evidencia a importância do multilateralismo. Mesmo em um cenário de maior fragmentação, há espaço para cooperação entre potências, com vistas a reduzir riscos de conflitos e ampliar mecanismos de entendimento entre as partes.
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