- Joana Curvelo, brasileira de 40 anos, atua como cuidadora de idosos em Bedford e chegou ao Reino Unido em julho de dois mil e vinte e dois, com planos de residência permanente.
- O governo britânico propôs, em novembro de dois mil e vinte e cinco, aumentar o prazo mínimo para pedir residência permanente de cinco para dez anos, e para quinze anos em setores de qualificação média ou baixa, como cuidadores.
- Se aprovada, a perspectiva de Joana muda: o ILR passaria a depender de um visto temporário, podendo ficar até dois mil e trinta e dois; hoje ela poderia solicitar o ILR em julho de dois mil e vinte e sete.
- O visto de Joana vence em fevereiro de dois mil e vinte e sete, e ela precisa renová-lo antes de pleitear o ILR; o custo dos vistos e dos patrocínios é significativo para a família, que inclui marido e dois filhos dependentes.
- Especialistas alertam que a mudança pode tornar a renovação do visto atual mais arriscada e elevar custos para as empresas que contratam trabalhadores migrantes, além de afetar dependentes se a renovação falhar.
A brasileira Joana Curvelo teme que mudanças propostas nas regras migratórias do Reino Unido dificultem sua possibilidade de residência permanente. Ela vive há mais de três anos em Bedford, trabalha como cuidadora de idosos e planejava solicitar o ILR em julho de 2027, após chegar em julho de 2022.
O governo britânico analisou uma nova proposta em novembro de 2025, chamada Um Caminho Mais Justo para a Permanência, que propõe ampliar o prazo mínimo para solicitar a ILR de 5 para 10 anos, ou 15 para trabalhadores de setores de qualificação média ou baixa, como cuidadores.
Joana chegou ao Reino Unido com o Skilled Worker Visa, que depende do empregador patrocinador. Sem vínculo com a empresa, a permissão de trabalho pode caducar. Hoje, a moradia permanente depende de cinco anos de trabalho contínuo com o mesmo empregador.
Se a mudança for aprovada, Joana poderia ter o ILR apenas em 2032, diferente do planejamento atual. Até lá, permaneceria com visto de trabalho temporário e dependeria de novas renovações e patrocínios executados pela empresa.
Como funciona o visto e as possibilidades de mudança
O visto de Joana é do tipo Skilled Worker, vinculado ao empregador. A cada renovação, a empresa precisa manter patrocínio e cumprir requisitos, com custos que afetam a continuidade da operação. Para cuidadores, surgiu o Health and Care Worker Visa, com vantagens de custo e processamento, mas regras de ILR mantêm o mesmo prazo de cinco anos.
A renovação do visto vence em fevereiro de 2027. Caso as regras se alonguem, o processo de permanência pode exigir etapas adicionais, elevando custos para a empresa e para a família.
O custo do patrocínio é relevante: o visto Health and Care Worker é mais barato que o Skilled Worker tradicional, porém a soma para manter 70 funcionários migrantes pode chegar a centenas de milhares de libras por ano.
O que dizem especialistas e o que ainda falta esclarecer
Advogados de imigração apontam que o principal risco imediato é a renovação do visto de Joana, não a própria mudança do ILR. Taxas de recusa subiram nos últimos anos, e o setor de cuidados recebe escrutínio adicional.
Se a renovação for negada, o marido e dois filhos de Joana também podem perder a autorização de permanência. Alternativas viáveis incluem mudança de código de ocupação ou visto independente para o marido. Questões baseadas em direitos humanos existem, mas são menos prováveis devido ao tempo e custo exigidos.
A BBC entrou em contato com o Home Office, sem resposta até a publicação. A família continua na expectativa de que mudanças não afetem quem já está no país sob regras vigentes.
A experiência de Joana e o impacto familiar
Joana afirma amar o trabalho e sentir valorização entre pacientes e famílias. Ela descreve a dificuldade de mudanças repentinas que podem colocar em risco a continuidade da vida no Reino Unido.
Os filhos já falam inglês fluentemente e têm rotina estável no país. O marido também se adaptou, e a família não planeja retornar ao Brasil caso as regras mudem de forma abrupta. Joana reforça a necessidade de manter regras existentes para quem já está no país.
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