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Irã chama acordo com EUA de histórico; navio francês atravessa Hormuz

Acordo entre EUA e Irã autoriza reabertura do Estreito de Ormuz por sessenta dias, com retorno gradual das exportações e aumento no tráfego de navios de GNL

Navios transitam pelo estreito de Ormuz vistos de Musandam, em Omã, em 15 de junho de 2026.
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  • O presidente do Irã disse que o acordo com os EUA é histórico, sinalizando que a paz será estabelecida com respeito mútuo.
  • O memorando prevê a reabertura imediata do estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio aos portos iranianos; Trump assinou o documento em Versalhes.
  • O primeiro navio de transporte de gás natural liquefeito, com bandeira francesa, deixou o Golfo atravessando Ormuz; o Mraikh transportava 76.535 toneladas de GNL de Ras Laffan, no Catar, para Port Qasim, no Paquistão.
  • O acordo estabelece a reabertura total do estreito por sessenta dias sem pedágio; a segunda etapa, com discussão sobre cobrança, ocorrerá a partir de 19 de junho, na Suíça.
  • Os preços do petróleo recuaram: Brent caiu para cerca de US$ 78,46 o barril e WTI para aproximadamente US$ 75,27; Trump reagiu às críticas nas redes sociais.

O presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, afirmou que o acordo com os EUA para encerrar a guerra no Oriente Médio é histórico, destacando uma mensagem de Irã forte e a esperança de paz baseada no respeito mútuo. A declaração foi publicada nas redes sociais nesta quinta-feira.

O memorando assinado eletronicamente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ocorreu em Versalhes, na terça-feira. O texto divulgado por Washington e Teerã prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio a portos iranianos.

Navio de bandeira francesa cruza Ormuz

Um primeiro navio de transporte de gás natural liquefeito, sob bandeira francesa, deixou o Golfo nesta quinta, atravessando o estreito após semanas de interrupção. A embarcação é o Mraikh, da filial francesa do grupo norueguês Knutsen OAS Shipping, com sede em Nantes.

O Mraikh transportava 76.535 toneladas de LNG, partindo de Ras Laffan, no Catar, com destino a Port Qasim, no Paquistão, conforme a plataforma Kpler. Segundo a empresa, apenas 15 navios com LNG haviam deixado o Golfo desde o início do conflito.

Tráfego no estreito se intensifica

Dados AIS e a MarineTraffic indicam aumento do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz nesta quinta, com várias embarcações trafegando em ambas as direções. Por volta das 10h30 GMT, a Kpler confirmou seis travessias de carga, aproximando-se da média diária recente.

Essa retomada tem impacto direto no mercado de petróleo. Segundo Soojin Kim, analista do MUFG, o acordo deve favorecer uma retomada gradual das exportações do Golfo, com o retorno do petróleo iraniano aos mercados globais e maior produção regional.

O preço do barril Brent, do Mar do Norte, caiu 1,37% para US$ 78,46. O Brent recuava de patamar próximo de US$ 73, ainda antes da crise. O WTI, equivalente americano, caía 1,98%, para US$ 75,27, aproximando-se de níveis pré-guerra.

Detalhes do acordo e próximos passos

O texto prevê a reabertura total do estreito, sem pedágio, por 60 dias. O Irã indicou a possibilidade de cobrança futura, tema que será discutido na segunda etapa das negociações. A fase seguinte começa nesta sexta-feira (19), na Suíça, com a cerimônia de assinatura.

As negociações ocorrerão em um hotel de luxo no Bürgenstock, com vista para o lago de Lucerna. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, estiveram anunciados, mas sem detalhes sobre andamento, participantes ou duração.

Reações internacionais

O governo de Donald Trump diverge de críticas ao acordo, alegando vantagens para o Irã sem detalhar a parte nuclear. A imprensa internacional trouxe avaliações conflitantes sobre o conteúdo do documento e seus impactos.

Agências de notícias acompanham a evolução do processo, com ênfase nas mudanças tecnológicas, comerciais e geopolíticas associadas à normalização das rotas marítimas e aos mercados de energia.

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